Eu:
Sou apenas uma memória que não vive no passado e não se apega ao futuro. Escrevo minhas linhas para exorcizar meus demônios e registrar minha historia. Medos, não os tenho, aliais, tenho sim, o maior de todos os medos. Tenho medo de um dia voltar a sentir medo, pois o medo é a perda da liberdade.
Tadeu
Olá a todos. Espero que tenham sentido minha falta. Ainda não vou postar um novo texto meu, ultimamente tem acontecido muita coisa e as ideias ainda não estão bem claras. Além de um projeto que anda me consumindo os neorônios. Mas em breve estará no ar para todos verem. Bem... Para fechar bem o ano e desejar tudo de bom para vocês selecionei um texto (me perdoem não lembro de quem é) que, pelo menos para mim, faz muito sentido. Espero que gostem. Feliz 2008 para todos. Até breve.
"A última surpresa do místico Chinês"
O riso é eterno, a vida é eterna, a celebração continua. Os atores mudam, mas a peça continua. As ondas se sucedem, mas o oceano continua. Você ri, você muda - e alguém mais ri -, mas o riso prossegue. Você celebra, alguém mais celebra, mas a celebração continua. A existência é contínua, é um continuum. Não há um único momento de quebra nela. Nenhuma morte é a morte, porque cada morte abre uma nova porta, então é um começo. Não há fim para a vida, há sempre um novo começo, uma ressurreição. Se você trocar sua tristeza por celebração, então também será capaz de trocar a morte por ressurreição. Aprenda essa arte enquanto há tempo.
O telefone toca... Uma voz feminina diz ___ Queria apenas escutar sua voz ____ esperei muito tempo por estas palavras, no entanto, hoje não fazem o menor sentido em meus ouvidos. Uma conversa sem nexo se inicia, duas pessoas sem graça, sem saber o que dizer. Como isso foi acontecer? Como nós não conseguimos conversar? Como duas pessoas tão íntimas não sabem o que falar? Pela janela do quarto escuro vejo os carros passarem apressados... Ela continua a falar, sua voz é murmurada, tem um pouco de medo, angustia, um véu de expectativa transparece quando diz___ Poderia conversar a noite toda___ pergunto-me sobre o que ela poderia falar durante uma noite inteira? Sobre o que eu poderia falar durante toda uma noite? “O amor é uma ilusão criada após o terceiro cigarro”, sábia Mian Mian e seus Bombons Chineses*, agora entendo o sentido desta frase. A voz feminina continua ecoando em meu ouvido, remete-me a um passado distante, três anos separam o ultimo “eu te amo” deste primeiro “Alô”. Nas duas ocasiões não fui eu quem falou. A voz continua... Tento escutar com atenção... Meus olhos fitam uma senhora atravessar a rua... O quarto escuro ilumina-se com as luzes da noite na cidade... Pergunto-me. Por que estamos tentando conversar e nada de útil sai de nossas bocas? A intimidade se foi. Pelo menos as brigas se foram com ela, todas as palavras sem sentido são ditas de forma carinhosa e gentil. Aonde foi que erramos? Em que ponto tudo desmoronou? Quatro anos separam o ultimo beijo deste primeiro suspiro. O beijo fui eu que dei o suspiro hoje é dela. Nossas vozes continuam tentando fazer sentido... Em vão. Antes nós não precisaríamos procurar as palavras, na verdade, nem precisaríamos delas. Bastaria um olhar ou um simples balbuciar para sabermos exatamente o que o outro queria dizer. Hoje, em dez minutos de conversa, não conseguimos entender 10% do que falamos. Somos dois estranhos, dois estranhos que conhecem muito um do outro. Dois estranhos “íntimos” que perderam a intimidade. As palavras continuam a serem pronunciadas, meus ouvidos captam, mas minha mente não assimila, acho que ela está na mesma situação. Sinto que quer dizer-me algo e não tem coragem. Eu quero escutar o que ela tem a dizer, mas tenho medo de ser verdadeiro na resposta. Antes minhas palavras estavam banhadas de magoa e minha mente fedia a raiva, teria sido mais fácil dar a resposta ao que ela não disse naquela época, não me preocuparia em machucá-la. Hoje, vejo que também errei e por isso não posso correr este risco. Como falarei a verdade sem feri-la? A conversa acaba. Nos despedimos, uma sensação de vazio envolve meu corpo. Em minha mente imagens dela aparecem repentina e nitidamente. O primeiro beijo, a primeira noite, o primeiro aniversario, o primeiro natal e por fim o primeiro e único Adeus. Quero que ela seja feliz, pelo amor que tive por ela e pelo carinho que ainda restou quero que ela seja feliz. Para mim não há mais como amá-la como antes. "O amor é uma ilusão criada após o terceiro cigarro"... Meus cigarros acabaram... Sábia Mian Mian e seus Bombons Chineses que adocicam as veias como balas de hortelã.
Desculpe-me pelo atraso de uma noite. Esperava uma autorização que demorou para chegar.
Pensamentos sob a luz negra
“Duas Taças de Vinho e uma Pequena Deusa Nórdica”
Meus passos estão encharcados de lembranças. Ainda sinto o perfume de um passado feliz, um perfume suave, quente... Ainda escuto o som das gargalhadas, risos e sorrisos de um tempo de muitos amigos descartáveis e de algumas pessoas eternas. O gosto... Sim, o gosto de chocolate derretido com cerejas em calda ainda permanece aqui. O elevador chega e meus pensamentos voltam à realidade, por pouco tempo, ao clicar o andar de meu destino o presente se apaga e o passado torna-se mais vivo que ele e muito mais gostoso que o sonho de um futuro distante. Tento pensar em acontecimentos atuais, mas por motivos infelizes eles não me parecem suficientemente atraentes e muito menos apropriados para o local onde estou. Fios dourados e esmeraldas do passado não saem da minha mente. Longos fios dourados e esmeraldas brilhantes, um brilho feliz enfeitado com lágrimas. A felicidade no brilho das esmeraldas foi por minha causa e infelizmente para mim as lágrimas que derramou também foram minha culpa. Não sabia que estas lágrimas haviam sido derramadas por mim, mas ao saber não pude deixar de culpar-me por elas. Deusas não deveriam chorar. As portas do elevador abrem-se devagar. Ao abrir vejo os longos fios dourados e as esmeraldas brilhantes, mas desta vez não estão mais em minha mente, agora é real. Palavras eram dispensáveis neste momento. Um longo abraço se segue de um beijo no rosto. Sim é ela, minha Pequena Deusa Nórdica está aqui mais uma vez. Nossos olhos se encontram e não sei se sinto desejo ou culpa por tê-la feito chorar no passado. Continua linda, perfeita como sempre. Tenho vontade de pedir perdão, mas já sei qual será sua resposta, “Você não sabia, não teve culpa nenhuma”, mas sinto que tive culpa sim. Por minha imaturidade e falta de sensibilidade a fiz chorar por algo que talvez ainda não possa dar. Ela pega minha mão e conduz-me até seu apartamento, está escuro, mas ao chegar à sala encontro velas, um suave perfume de absinto e lótus e uma pequena mesa onde está servido o jantar. Mais uma vez a culpa absorve meus pensamentos. Por mais que eu não soubesse, não poderia tê-la deixado sofrer. A abraço forte e peço perdão. A Deusa procura meus lábios e um beijo lento e carinhoso dá-me a certeza de que fui perdoado. Chocolate derretido com cerejas em calda... Sim, o gosto ainda está aqui, ainda melhor do que quando tive a oportunidade de provar. Seu beijo é como um vinho, ao envelhecer torna-se mais saboroso e valioso. Sinto suas lágrimas escorrerem, ou seriam as minhas? Não importa, nada mais importa, ao menos hoje o mundo não existe mais. Hoje só o que existe é minha pequena Deusa de longos cabelos dourados, nada mais, apenas ela me importa. Sinto seu gosto, nunca desejei tanto alguém quanto agora. Seu perfume mistura-se ao do ambiente. Este perfume parece me entorpecer enquanto beijo seus lábios macios. Seu coração bate forte, parece acompanhar o ritmo do meu. Batidas fortes acompanhadas de caricias lentas. Delicadeza. Esta é a palavra que resume perfeitamente a forma de tratar uma mulher como ela. Neste momento meu desejo não é o seu corpo e sim seu sorriso. Meu êxtase será fazê-la feliz ao menos por uma noite. Nossos olhos encontram-se. Ela sorri antes de nos beijarmos mais uma vez. Agora o desejo nos cega, o suor escorre apesar do ambiente fresco e o tapete felpudo serve de ninho para saciar um prazer aprisionado por anos. Doces palavras são ditas em meio a sussurros incompreensíveis. O perfume da Deusa parece envolver-me mais a cada segundo, seus olhos de esmeralda me fitam de forma delicada até finalmente se fecharem. Seus braços apertam meu tronco, meu êxtase chega e não vai embora por longos segundos. Ficamos abraçados por um bom tempo, seu rosto suado brilha com a luz, está ainda mais linda assim. Mais um beijo é dado e ela levanta-se pedindo que eu espere. A Deusa usa a colcha de linho do sofá como manto e desaparece de meus olhos por algum tempo. Não consigo pensar em nada, tudo o que me afligia parece ter desaparecido. Ela volta a passos lentos, em uma das mãos traz uma garrafa de vinho na outra uma maleta de madeira. Ajoelhasse a minha frente e abrindo a maleta e diz:
___ Isto foi feito apenas para nós. Nunca será usado por mais ninguém. Após está noite será guardado e só será usado novamente quando está noite se repetir.
Dentro da maleta encontram-se duas taças de cristal e um saca rolhas lindamente decorado. Não digo nada, estou encantado demais para dizer qualquer palavra, apenas abro o vinho e encho as taças até a metade. Abraço minha pequena Deusa e a faço repousar em meus braços. Bebemos o vinho em silêncio, mas sem desviar os olhos um do outro. Alguns segredos são confessados enquanto a garrafa de vinho esvazia-se. Aos poucos a pequena Deusa adormece. Parece um sono tranqüilo, sua respiração é suave e seu rosto iluminado pela luz das velas transforma a cena em algo onírico. Durmo acariciando seus cabelos. A noite acaba e uma promessa é feita antes de eu partir. Volto para casa andando pela orla. Penso no que aconteceu, penso se realmente merecia isso. Acho que sim apesar de não saber se irá se repetir. Ao menos consegui ser feliz e fazê-la feliz por uma noite. Acho que nós dois merecíamos isso. As taças continuam guardadas. Ela me confirmou isso antes e depois de partir em uma longa viagem. Quanto à promessa, posso resumir em uma frase que ouvi num filme.
“Destino é construir uma ponte de oportunidades para o seu amor”.
Não sei se nós vamos nos encontrar ao atravessar esta ponte, mas uma coisa é certa, caso não estejamos juntos nossa amizade nos fará desejarmos a felicidade um do outro seja lá de que forma ela se apresente.
P S: Antes que perguntem se o jantar foi esquecido, digo que jantamos sim, apenas omiti está parte para não me alongar demais no texto. Além da conversa durante a refeição só ter relevância para nós dois.
Ola a todos. Agora sim estou de volta a ativa. Passei por uma crise de excesso de criatividade e os resultados dela estão começando a aparecer. O primeiro resultado estão vendo agora. Aqui esta o novo layout do Old Memories. Finalmente depois de quebrar a cabeça consegui editar um template (com isso descobri que odeio com todas as forças do âmago do meu ser html e todos os seus derivados). Há um bom tempo queria fazer isso e colocar uma das minhas fotos no template e consegui. A escolha desta foto é simples, como falo de memórias antigas nada melhor que uma foto em estilo noir. Quero agradecer a Leka por permitir usar sua imagem aqui. To te devendo uma caixa de chocolates pelos direitos de imagem rssssssss. Em breve contarei a historia do dia em que fiz o ensaio desta foto, sem duvida foi um dia muito divertido, nada melhor que fazer o portifólio fotografando uma amiga e com outro amigo “chato” como assistente. Se não tomasse cuidado fotografaria mais as mãos do Fafas do que a Leka rssss. Alem do layout novo agora meu blog pode ser traduzido em treze línguas caso queiram treinar os idiomas que falam cliquem na bandeira do país desejado no topo do bloco de posts. Gostaria de saber a opinião de todos sobre o layout, ainda vou mudar umas coisinhas mínimas que estão me incomodando, mas a opinião de todos será muito bem vinda. Quanto ao “Azure Moon” a curiosidade de quem tem reclamado vai ser saciada a partir de sábado quando voltarei a publicá-lo. Não se preocupem, a não ser que falte luz, os capítulos serão publicados todo sábado sem falta. Agora fiquem com a segunda parte da viagem ao cinema asiático. Continuarei na Coréia com um especial sobre o diretor Park Chan-Wook.
Pensamentos sob a luz de um projetor oriental.
Parte II
“Trilogia da vingança”
A “Trilogia da Vingança” é uma das obras mais comentadas do mundo quando se trata de cinema Coreano. Nestes três filmes podemos ver toda a criatividade (e sadismo) do diretor asiático mais cultuado da atualidade, Park Chan-Wook. Ao contrario da grande maioria das trilogias os três filmes de Chan-Wook não são uma continuação, na verdade são filmes distintos unidos unicamente pelo tema vingança. Cada um trata de maneira única, realista e violenta este que é o mais comum e “odioso” sentimento humano. Este diretor tem como característica ser um dos mais sangrentos da Ásia (conseqüentemente do mundo), mas com um detalhe crucial que o difere dos outros diretores do gênero, nem uma única gota de sangue é derramada de graça. Não existe em nenhum take de seus filmes a famosa “violência gratuita”, tudo tem um sentido e o público pede cada vez mais sangue a cada minuto que passa.
Sympathy for Mr. Vengeance
O primeiro filme da trilogia é sem duvida o mais realista de todos. Além do roteiro primoroso e extremamente intrincado (outra característica básica dos filmes de Chan-Wook) traz ao público dois dos maiores problemas da Coréia, saúde publica e desemprego. O filme começa com a leitura de uma carta enviada a uma radio por Ryu, um surdo-mudo que cuida da irmã doente a espera de um transplante de rim. Ryu por não ser doador compatível resolve vender seu rim no mercado negro para custear a operação e conseguir um órgão compatível para a irmã. Mas acaba tendo seu rim roubado e apesar de aparecer um órgão para a irmã ele não tem dinheiro para custear a operação. Para complicar mais um pouco a historia perde o emprego e vê-se obrigado a acatar a idéia de sua namorada ,Yeong-mi, seqüestrar a filha de seu ex-patrão, Park Dong-jin. Mal sabe ele que apesar das aparências Park Dong-jin esta falido e passa por dificuldades para pagar o resgate. A partir daí a vingança aparece dos dois lados com acontecimentos que matariam o roteiro no meio da exibição, mas como falamos de Park Chan-Wook o resultado é sem duvida surpreendente. Senhor Vingança (titulo brasileiro. Será lançado no Brasil até o fim do ano em DVD) é o inicio do projeto “vingança” do diretor. É um filme para poucos se formos contar as cenas bárbaras que embrulham o estômago de qualquer um, mas Chan-Wook com sua narrativa rápida e um cuidado extremo com a fotografia nos conta a historia de tal forma que ao invés de ficarmos horrorizados com os atos cruéis nos perguntamos se não faríamos o mesmo nesta situação. Qual dos lados é culpado? Ou melhor, qual dos lados tem menos culpa pelos acontecimentos? Está é a grande sacada do filme, não sabemos a quem culpar e em alguns casos nos sentimos culpados pelos personagens. O elenco é outra grande arma do filme. As interpretações são no mínimo fantásticas. Mesmo com a barreira da língua conseguimos ver a veracidade nos olhos dos atores principalmente de Shin Ha-gyun que interpreta o surdo-mudo e emite apenas alguns grunhidos durante o filme.Outro ponto alto de interpretação é de Bae Doo-na que faz a namorada terrorista antiamericana e completamente doida do surdo-mudo. Com seu jeito despojado consegue dar uma certa leveza e humor ao filme em quanto distribui seus panfletos de protesto. Senhor Vingança é um filme que precisa ser visto por todos que gostam de cinema inteligente e realista e principalmente para os que já viram o segundo filme da trilogia que foi lançado no Brasil em dvd há dois anos.
OldBoy
O segundo filme da trilogia é o mais surreal de todos. Oldboy foi lançado no Brasil como filme cult vencedor de vários prêmios internacionais inclusive os de critica e público em Canne. Foi exibido em poucos cinemas brasileiros, mas tomou força em seu lançamento em dvd principalmente pelos curiosos que o alugavam para ver a polêmica cena onde Oh Dae-su come polvo vivo. Oldboy é a historia de um homem que não sabe por que foi preso dentro de um quarto por quinze anos. Seu único contato com o mundo foi pela televisão e os bolinhos fritos que o davam como refeição. Durante o tempo em que ficou preso Oh Dae-su fez da televisão, segundo suas próprias palavras, sua escola, igreja, amiga e amante. Com a ajuda dos programas que via traçava sua vingança a um inimigo que não sabia quem era. Em um belo dia ele é deixado dentro de uma mala no topo de um edifico e ai começa um jogo de gato e rato onde ninguém sabe quem persegue quem. O filme é incrivelmente confuso e intrigante, não perde o ritmo em nem um só minuto, quando conseguimos entender alguma coisa nossos doces sonhos de prever a próxima cena são logo frustrados por mais uma revelação bombástica. A confusão está ligada a uma apresentação de personagens que não acontece, ficamos sabendo quem são os “mocinhos” e “bandidos” durante a narrativa. Em Oldboy vemos o lado mais sádico da vingança. Oh Dae-su é tão cruel e implacável em busca de informações de quem mandou prendê-lo que por incontáveis vezes achamos Hanibal Lacter (de o silêncio dos inocentes) tão doce quanto o coelhinho da páscoa. A cena onde Oh Dae-su arranca os dentes do dono da carceragem onde ficou preso com um martelo ficou tão famosa que o Box de Dvds coreano vem com um martelo de brinde. Não pensem que a violência das cenas transforma o filme em mais um mar de sangue sem sentido, como já disse, nada nos filmes de Chan-Wook é de graça. O filme tem uma aura suja sim, a fotografia é belíssima e muito marcada nas cenas sombrias e acaba servindo de moldura a um roteiro dúbio de ternura e horror, amor e ódio doentio. De certa forma podemos classificar Oldboy como um romance, provavelmente o mais violento de todos.
Sympathy for Lady Vengeance
Sympathy for Lady Vengeance acabou de sair de cartaz dos cinemas brasileiros. Por aqui seu nome é Lady Vingança e infelizmente ficou pouco tempo em cartaz e em poucas capitais. Este é sem duvida meu filme favorito e mesmo tendo sido exibido em apenas duas salas no Rio fiquei satisfeito de saber que finalmente chegou ao Brasil e sairá em Dvd provavelmente em edição especial dupla. Lady Vingança é o fim da trilogia e o mais poético dos filmes de Chan-Wook. Ao contrario dos outros dois este não engana o público. A historia é apresentada de uma vez, sem férulas ou embolação. É aquilo e pronto, não há o que inventar ou mentir, mas se pensas que por isso o filme deixa de surpreender se enganou. O filme é lindo, forte, cruel, tocante, poético e emocionante. Lady vingança conta a historia de Lee Geum-ja. Foi presa aos dezenove anos pelo seqüestro e assassinato de um menino de cinco anos de idade. Ré confessa cumpriu pena de treze anos e tornou-se uma religiosa fervorosa na prisão. Sempre gentil ajudava as outras presas chegando até mesmo a doar um rim a uma das detentas. Ao sair da prisão e ser recebida pelo pastor que a converteu sua única frase é :
___Por que você não vai se ferrar?
A partir daí descobrimos que Lee Geum-ja não é culpada do crime e só confessou pois o verdadeiro assassino mataria sua filha se não o fizesse. Passou os treze anos na cadeia planejando como matá-lo e agora irá colocar seu plano em pratica. Este filme tem um ritmo mais lento que os demais, também é o mais bem cuidado deles. A fotografia e a direção de arte são simplesmente irretocáveis. No caso da fotografia o filme ganhou duas versões nos cinemas coreanos e que Deus queira possamos ver no Dvd brasileiro.A versão normal nos brinda com cores fortes e bem marcadas seja na maquiagem, figurino ou cenários muito bem trabalhados. A segunda versão só foi exibida em cinemas com projeção digital e no Dvd. Nesta versão do meio para o fim do filme a película vai perdendo as cores lentamente até culminar em um final totalmente preto e branco. Outro elemento marcante é a trilha sonora composta de música erudita com vocais em italiano e inglês, combinando perfeitamente com a interpretação “espírita” de Lee Young-ae. A carga dramática e a mudança brusca de reações e sentimentos de uma cena para a outra mostra todo talento da atriz em takes de beleza extrema. Lady Vingança, apesar de ser mais lento que os outros, matem a violência sádica dos primeiros filmes, mas desta vez com algumas diferenças que só vendo o filme para entender.
Aqui termina minha viagem pelo cinema Coreano. Na próxima quarta voltarei com os “pensamentos sob a luz negra”, mas claro, quando menos esperarem vou falar de cinema asiático de novo, afinal ainda não falei da china nem do Japão.
Obrigado pela paciência e espero que comecem a ver com outros olhos os filmes que vem do outro lado do mundo. Vou deixar aqui uma lista de ótimos filmes fáceis de encontrar nas locadoras:
Oldboy – Tem uma versão simples por 12,90 nas lojas Americanas
Medo (Tale of Two Sisters) Suspense psicológico lançado para locação. Se gostaram de “O sexto sentido” vão se surpreender com este filme. (não é muito fácil de achar mais vale a pena procurar.)
Zona de Risco – Primeiro grande sucesso de Park Chan-Wook. Fácil de encontrar nas locadoras e a venda em Dvd duplo.
Irmandade da Guerra – Conta a historia de dois irmãos na guerra da Coréia. Tão violento quanto “o resgate do soldado Ryan” mas sem o patriotismo exacerbado dele.
Memórias de um Assassino – Historia real contada como ficção. Engraçado e surpreendente do mesmo diretor de “Barking dogs never bite” (falei deste filme no ultimo post) e “O Hospedeiro” que acaba de sair dos cinemas e é uma outra ótima opção quando sair em dvd.
Bem... Aos poucos que comentam e aos muitos que entram e me falam pessoalmente ou por mail (né Flavia!), peço desculpas pela falta de atualização e por não ter publicado o segundo Capitulo do “Azure Moon” ainda. O problema é que estou com pena de cortar um pedaço do capitulo dois, pois ele esta imenso. Talvez eu faça dele dois capítulos, mas ainda não decidi. Desculpem por isso rssssssssssss Sei que estão curiosos e prometo publicar em breve.
Pensamentos sob a luz de um projetor oriental
Há algumas semanas estou me dedicando ao meu maior vicio, ou seja, cinema. Mais especificamente cinema oriental, especificando mais um pouco, produções do leste asiático, sendo ainda mais especifico, filmes do eixo Japão, Coréia e China.
Quando digo que gosto de cinema oriental a grande maioria das pessoas logo pergunta, “Nossa você ainda tem saco pra assistir aqueles filmes de samurais lutando kung-fu que nem o Bruce Lee?”, no principio eu ficava chateado, mas agora dou boas gargalhadas quando escuto algo do tipo. Não desgosto de filmes de ação e artes marciais, afinal já fui criança e assistia a seção kung-fu da bandeirantes sábado a noite, mas o cinema asiático tem muito mais a oferecer do que isso e não estou falando dos famosos filmes de terror japoneses.
A primeira coisa a se fazer quando você se depara com um filme vindo daquelas bandas é:Esqueça os estereótipos. Ao assistir isso você vai entrar no universo de mentes que realmente pensam, ou seja, não vai encontrar nenhuma advogada loira e cabeçuda que ninguém sabe por que cargas d’água ganhou um Oscar. Estará entrando em uma cultura com valores bem diferentes dos nossos, mas que se assemelha tanto a nós que logo você esquecerá que existem diferenças culturais.
Não conseguiria falar deste vicio em apenas um post então para organizar vou dividir este texto e inaugurar agora uma seção de cinema Asiático e em breve uma seção de cinema Europeu (neste caso os franceses e espanhóis). Para organizar vou dividir os posts por país e em alguns casos por gênero. Para começar vamos fazer uma pequena viagem ao cinema sul coreano.
Como primeiro exemplo do novo cinema asiático vou falar de um filme que poucos conhecem aqui no Brasil. O filme é “SadMovie”, uma produção Coreana que como o próprio nome diz (não escrevi errado lá eles juntaram as palavras mesmo, questão de estética pro cartaz) é um filme triste. Na verdade é muito triste, uma porrada no estômago quase literal. O filme começa bem, alegrinho e os personagens te cativam de uma forma tão intensa que você torce por eles o tempo todo, ai o roteiro vira e não tem como conter as lágrimas. Você chora compulsivamente, não tem como escapar, nem o mais turão dos machistas consegue conter as lagrimas diante de uma surdinha apaixonada por um desenhista de parque de diversões. Um amor sofrido de uma jovem que namora um bombeiro dedicado capaz de dar a alma para salvar uma vida. Um jovem desempregado que faz de tudo para conseguir algum dinheiro para sair com a moça por quem se apaixonou, este jovem protagoniza as cenas mais hilariantes do filme quando funda uma agencia de separações para sustentar seu namoro, ou o que ele acha que é um namoro. E por fim um menino que descobre amar intensamente sua mãe relapsa quando está descobre ter um câncer de estômago. Todas estas historias se cruzam de maneira harmoniosa durante o desenvolver do filme. É sobre tudo um filme de personagens, não existe uma trama principal apenas sentimentos muito bem descritos e arranjados de forma a pegar o publico sempre pelo lado mais vulnerável e levá-los aos soluços sem enganar ninguém com finais felizes.
Outro bom exemplo de cinema de qualidade elevadíssima vindo da Coréia é o mais recente filme de Park Chan-Wook (Conhecido aqui no Brasil por seu arrebatador Old Boy. Falarei deste filme no próximo post de quarta feira) “I’m a cyborg, but that’s Ok.”, uma inusitada historia de amor passada dentro de um sanatório. Não sei quem é mais louco, o diretor ou os personagens. Sem exageros posso afirmar que o filme lembra as pinturas de Dali, tocante e surreal ao extremo para caracterizar as viagens de uma menina que pensa ser um ciborgue de guerra que precisa devolver a dentadura a sua querida avó (que acredita ser um rato) e um jovem esquizofrênico que rouba os sentimentos e habilidades dos outros doentes. Este filme não foi sucesso de bilheteria em seu país de origem por não mostrar em nenhum momento que os pacientes podem vir a se curar, na verdade o filme mostra como dentro da loucura de roubar os sentimentos o jovem vai conseguir fazer a menina se alimentar, pois por acreditar ser um ciborgue ela tem medo de quebrar se ingerir algum alimento. Alem do casal principal os personagens secundários são um show à parte. O hilariante homem que se acha culpado de tudo que da errado no mundo. Ele é tão culpado que se privou do direito de andar para frente, sim ele anda de costas o filme inteiro (coitado desse ator). E a simpática doutora que sempre tem um sorriso nos lábios e parece preocupar-se mais em manter os pacientes seguros e saudáveis do que curá-los. O filme é uma comedia e não um dramalhão. Você ri tanto que às vezes esquece que a historia é séria e acaba sendo surpreendido com cenas belíssimas repletas de efeitos especiais de ótima qualidade e flashs da realidade de um doente mental internado. Hoje ao assistir este filme pela segunda vez o Fafas disse uma frase que sintetiza o quão bom o filme é: “Puta que paril eu quero esse DVD!”. Diante desta frase do meu amigo acho que da para entender por que este filme foi um dos mais aclamados do ultimo festival de Canne.
Agora para terminar esta primeira “seção cinema coreano” vou falar do ultimo filme que assisti, “Barking Dogs Never Bite”. Um dos filmes mais leves, engraçados e politicamente incorretos que já vi. Achei este filme perfeito para reunir os amigos em volta de uma panela de pipocas no domingo à tarde, alem de divertido ainda te faz pensar. Se passa quase todo dentro de um condomínio de Seul onde um pobre desempregado sustentado por sua esposa grávida (e extremamente violenta e dominadora) tenta angariar dinheiro para subornar o reitor da faculdade onde existe uma vaga de professor. O problema é que ele não pode pensar por seu vizinho ter um cachorro chato que late o tempo todo, o que o leva a seqüestrar e cometer o assassinato do pobre canídeo. Mas, o cachorro tem como dona uma menina que logicamente faz cartazes para encontrar seu amado animalzinho. Para espalhar seus cartazes ela precisa de uma autorização do sindico do condomínio e nisso entra na historia a ajudante da secretaria do sindico (brilhantemente interpretada por Bae Du-na, falarei desta atriz no próximo post), uma jovem ingênua que tem o sonho de se tornar uma heroína e aparecer na tv. No inicio o filme apenas apresenta os personagens e suas historias cativantes e realistas, uma critica social muito bem montada e que se encaixa perfeitamente com a sociedade brasileira. Depois dos personagens devidamente apresentados a historia se desenvolve a partir do momento que nosso querido desempregado percebe que matou o cão errado e vê-se obrigado a cometer seu segundo homicídio canino, mas desta vez é visto pela jovem aspirante a heroína. A partir deste ponto prepare o lenço, pois você vai chorar de tanto rir principalmente pela forma que o diretor ridiculariza seus personagens. Este é outro grande exemplo do que chamo de “filme de personagens”. Aqui, mas uma vez a historia principal é apenas uma alegoria para entrarmos no universo particular de cada um dos personagens, pessoas simples com dificuldades que todos nós temos. Pessoas engraçadas e deprimidas como qualquer um que podemos encontrar na rua.
Espero ter aguçado um pouquinho a curiosidade de vocês sobre o cinema asiático. No próximo post de quarta feira continuarei na Coréia, mas desta vez falarei de filmes um pouco mais sangrentos numa edição especial sobre o diretor Park Chan-Wook.
P S: Antes que perguntem. Eu baixo a grande maioria destes filmes no emule. É possível encontrar filmes já com legendas em português ou dublados em espanhol, francês e italiano. Mas existem muitos sites brasileiros e portugueses que fazem legendas para estes filmes e sempre a os sites americanos para quem não tem problemas em ler legendas em inglês. Caso queiram alguma informação mandem um e-mail ou deixem nos comentários. Garanto que não vão se arrepender de ver algum filme destes. Qualquer cinéfelo tem o dever de assistir uma obra asiática na vida.
sábado, 26 de maio de 2007
Ola. Desculpem pela demora na publicação. Acabei “lambendo” um pouco demais o texto.
Está semana não publiquei os “pensamentos sob a luz negra”, mas voltarei a publicar semana que vem. Resolvi botar ordem na casa e agora temho dias específicos para publicação.
São eles:
Quarta-feira –Pensamentos Sob a Luz negra
Sábado – Pensamentos de Terras Distantes “Azure Moon”
Agora tentarei ser assíduo nas publicações e espero que gostem da leitura.
Abraços e beijos a todos.
Azure moon
Capitulo – 1
“Onee-chan”
No trem Kaori olha atentamente as ruas no mapa tentando decorá-las. São ruas estranhas para ela, mas logo farão parte de seu cotidiano. A partir de agora tudo será muito diferente. Não esta mais na província de Yamanashi. Está não é a capital Kofu. Agora Kaori está em Tóquio. Indo em direção ao bairro de Shibuya como havia planejado com Ryuji. Infelizmente ele não esta com ela.
Quase um ano se passou desde a morte de Ryuji e a moça mudou muito neste tempo. Isolou-se de quase todos os amigos, aproximou-se da família e principalmente de sua irmã Momoko que outrora era sua “pior inimiga”.
A rivalidade entre Kaori e Momoko era antiga. Momoko é um ano mais nova que Kaori e é fruto de uma gravidez complicada. Sua mãe engravidou pouco tempo depois do nascimento da primeira filha e por isso a criança nasceu com uma série de problemas de saúde. Por causa da saúde frágil Momoko tornou-se o centro das atenções de seus pais e de toda a família. Kaori era amada, mas sentia-se excluída ao ver a atenção prestada a sua irmã mais nova. Este é um dos grandes motivos que a levaram a ser uma rebelde e tornar-se à moça promiscua que foi ate encontrar Ryuiji.
Kaori nunca tratou bem a irmã, às vezes até fingia não a conhecer. Na escola, ficou muito irritada quando Momoko ganhou o direito de pular um ano devido ao seu excepcional rendimento nos estudos. Apesar do desprezo Momoko orgulhava-se de ser irmã de Kaori. Não concordava com suas atitudes, mas admirava sua força quando queria alguma coisa Além da popularidade, todos falavam com ela, todos gostavam de conversar com Kaori enquanto Momoko tinha como únicos amigos os livros e as revistas de moda que gostava.
Após a morte de Ryuji o isolamento de Kaori foi quase total. Durante as primeiras duas semanas seu único contato com o mundo fora de seu quarto era a mãe que levava suas refeições, e Momoko que todos os dias contava as novidades da escola em voz alta na frente do quarto da irmã. Kaori não entendia por que a irmã fazia isso e irritava-se com este falatório, mas resolveu não dizer nada achando que Momoko se cansaria e pararia de incomodá-la.
Mesmo sem haver resposta de Kaori a menina não desanimava e pontualmente as sete da noite plantava-se à frente da porta fechada e começava a falar sobre o dia que havia passado. Kaori ficou muito nervosa com isso nos dois primeiros dias, mas logo acostumou a ouvir a voz da irmã. No final da primeira semana sentava-se atrás da porta e esperava ansiosamente a irmã trazer as noticias do mundo de fora. Não falava nada, apenas ouvia e divertia-se com a ingenuidade de Momoko sobre certos assuntos. Kaori comparava-se a sua avó a escutar as noticias no rádio quando nova.
No fim da segunda semana Kaori sentada perto da porta de seu quarto notou algo estranho, sua irmã pela primeira vez se atrasará para o relato do dia. Kaori estranhou, pois Momoko sempre foi pontual, não se atrasava um só minuto. Dez minutos se passaram e nada de escutar a voz de Momoko. A jovem preocupada encosta o ouvido na porta tentando escutar algum som que denuncia-se a presença de sua irmã. A princípio não escutou nada, mas prestando atenção ouviu uns gemidos muito baixos, escutou por mais algum tempo e notou que os gemidos eram de alguém chorando.
Kaori afastou-se da porta e não sabia o que fazer. Tinha certeza de que era Momoko chorando, conhecia o choro da irmã muito bem, havia escutado varias vezes e em algumas foi à causa das lágrimas.
Ela decidiu abrir uma pequena fresta da porta para certifica-se de que era Momoko do outro lado. Ao olhar viu a irmã encolhida no chão abraçada a um livro. Chorava baixinho e de forma muito dolorosa. Kaori vendo-a sofrer, por instinto, abriu a porta e a abraçou. Momoko se aninhou nos braços da irmã e chorou por muito tempo. Kaori acariciava seus longos cabelos negros delicadamente, não sabia exatamente o que sentia, mas era um sentimento bom apesar do desespero da irmã.
Depois de um tempo Kaori a levou para o quarto e Momoko contou por que estava chorando. Havia deixado seu livro cair na lama e por azar um carro passou por cima dele. Ela mostrou o livro, estava sujo e rasgado, apesar disso aparentava ser um livro caro. Era uma edição especial com vários ensaios da revista Vogue Italiana, foram editados muito poucos como este e era realmente muito caro. Momoko disse que havia economizado por quatro meses o dinheiro que ganhava dando aulas particulares para comprá-lo. Kaori perguntou por que ela não pedirá o dinheiro para seus pais, não eram ricos, mas com certeza dariam um jeito de dar o livro a ela. Momoko respondeu:
___ Queira comprá-lo sozinha, pois sabia que você nunca pediria dinheiro para nossos pais. Você sempre foi independente desde pequena, quando queria alguma coisa sempre dava um jeito de conseguir sozinha. Eu queria ser assim, queria ser um pouco como você.
Agora foi a vez de Kaori chorar. Ela sentiu orgulho e um terrível sentimento de culpa por nunca ter dado atenção à irmã, nunca imaginou que era tão admirada por ela. Em meio as lágrimas Kaori diz algo que antes seria impossível falar:
___ Gomen nasai (desculpe-me)... Desculpe-me por não ter estado ao seu lado durante todos estes anos.
Depois deste pedido de desculpas as duas conversaram quase toda à noite. Kaori descobriu que o sonho de Momoko era ser estilista. Por isso o livro era tão importante para ela, não era o valor material e sim um pedaço de seu sonho que havia sido “atropelado” por um carro. Kaori se surpreendeu ao saber disso, sempre pensou que Momoko fosse se envolver com contabilidade ou administração como seu pai. Então a irmã lhe disse algo que a deixou extremamente emocionada.
___ Realmente estava decidida a estudar contabilidade para ajudar papai nos negócios, mas meu sonho sempre foi estudar moda. Não queria decepcionar papai, por isso escondi meus desejos e ia para a faculdade de contabilidade para agradá-lo. Só contei para uma pessoa o que realmente queria fazer, qual era meu sonho. Foi está pessoa que disse para eu correr atrás dele e não desistir. Disse que com certeza papai entenderia que meu caminho era diferente do dele e se orgulharia de mim de qualquer forma. Quem me disse isso foi Ryuji.
Kaori sorriu amavelmente e deu um beijo na testa da irmã dizendo:
___ Às vezes eu acho que Ryuji era um Buda disfarçado de apreciador de rock setentista. Siga o conselho dele, não poderia ser melhor.
A partir deste dia as irmãs tornaram-se amigas inseparáveis. Ryuiji havia conseguido fazer outro milagre, uniu Kaori e Momoko.
____ Onee-chan! (expressão usada para irmãs mais velhas) Onee-chan, chegamos! Vamos logo!
Kaori estava tão absorta olhando as ruas no mapa que não ouviu o anuncio da estação. As irmãs precisaram se apresar antes que o trem fechasse as portas e saísse. Uma corrida frenética e divertida se dá dentro do vagão. A alegria volta ao rosto de Kaori quando esta com a irmã.
Saem da estação de Shibuya e logo ficam perdias no meio da multidão. Shibuya é um dos bairros mais movimentados de Tóquio, principalmente em um sábado à noite.
___ Tem muita gente aqui. Como vamos encontrar o guia que papai mandou para nos levar ao Pub? ___ diz Momoko apreensiva.
___ Papai disse que ele estaria na frente da estátua de Hachiko. Bem... A estátua esta logo ali na frente, só não sei como este tal guia vai nos reconhecer. Por enquanto não temos outra opção a não ser esperar.___ fala Kaori um tanto intrigada.
As meninas dirigem-se para perto da estátua de Hachiko e lá esperam por mais de uma hora. Kaori está muito irritada, detesta esperar. A moça está preste a sacar o celular e ligar para o pai quando um rapaz se aproxima.
___ Oi, desculpe a demora. Eu ainda não conheço bem este lugar.
Ao olhar o rapaz às meninas gritam em coro:
___ Hiroshi?! Que diabos você está fazendo aqui?
___ Vocês não sabiam que eu estava aqui? Pensei que o Senhor Makimura tivesse falado. Estou trabalhando no Pub de vocês. Vim para Tóquio estudar.
Kaori torce o nariz e fala:
___ Por que não nos disse que viria para Tóquio. Pensei que você não ia sair de Kofu nunca.
Hiroshi pensa em falar, “tentei te dizer isso por um ano, mas você não me deixava nem chegar perto”, mas preferiu ficar calado.
Momoko timidamente diz:
___ Pessoal, vamos deixar esta conversa para depois. Estou com fome vamos logo pro Pub comer alguma coisa.
Kaori e Hiroshi concordam com um movimento de cabeça.
___ Bem Hiro-chan!(forma carinhosa de se referir às pessoas, como um apelido. Pode-se usar o nome todo ou apenas parte dele.) Você é o guia. Por onde vamos?___ Diz Kaori de forma sarcástica.
___ Eu acho que é por ali. Bem... Também pode ser pela rua atrás da estação? Não. É por aqui mesmo... Eu acho?
___ Como assim você acha? Você não chegou aqui? Você te quem saber voltar!
___ Calma Kaori! Eu vou levar a gente. Uma hora a gente chega lá. O problema é que eu me perdi para chegar aqui. É muita gente andando pelas ruas eu fiquei meio desnorteado. O povo aqui anda muito apressado.
___ Eu to com fome! ___ Diz Momoko.
Kaori está quase pulando no pescoço de Hiroshi quando olha para cima tentando se acalmar. No céu vê uma imensa lua cheia, fica praticamente hipnotizada com esta visão. Seus pequenos olhos puxados parecem tentar filtrar a luz do luar em meio ao excesso de néon das ruas de Tóquio. Ela pensa em Ryuji.
___ Onee-chan, você está bem? ___ diz Momoko preocupada, mas Kaori não responde.
Hiroshi a segura pelos ombros.
___ O que houve Kaori? Acorda! O que está vendo?
A menina olha para Hiroshi e o abraça. Lágrimas correm por seu rosto, lágrimas de saudade. O rapaz não sabe bem o que fazer e fica imóvel até Kaori dizer baixinho:
___ Azure moon. Hoje é o primeiro dia da Azure moon de Ryuji.
Hiroshi e Momoko olham para cima e vêem a lua cheia. Eles acham a lua realmente linda, mas não conseguem compreender a importância dela nesta hora. Eles precisam de mais algum tempo para entender está tal Azure Moon.
Ola a todos. Finalmente estou publicando o primeiro “Pensamentos de terras distantes” seção em que publicarei minhas historias de ficção. Estava previsto para o inicio de abril, mas por motivos alheios a minha vontade precisei adiar este projeto que agora terão a oportunidade de começar a ler.
Este é apenas o prólogo de uma historia em quatro partes que será publicada uma vez por semana. Acho que vão notar que comecei longe, pois a historia se passa no Japão e a trilha sonora é composta apenas de cantores japoneses.
Espero que gostem da leitura.
Obs: Os “Pensamentos sob a luz negra” continuarão sendo publicados semanalmente. Então Fafas não se preocupe que vou narrar as desventuras da mesa de sinuca do Pista 3 em breve.
-Prólogo da Lua-
A fumaça negra que sai da chaminé permeia o céu logo acima do crematório. Ao longe uma jovem observa atentamente os desenhos que são formados pela nuvem negra ao sabor da brisa fria de outono. Kaori tenta imaginar o que Ryuji acharia desta cena, mas é muito difícil para ela pensar nisso sabendo que aquela fumaça negra é a única coisa que resta de seu namorado.
“Ryuji. Ryuji seu imbecil! Você prometeu que nunca ia me deixar. Por que você fez isso comigo? Por que você tinha que morrer logo agora que tínhamos tantos planos? Por que você tinha que dizer que me amava há um ano atrás?
Eu era feliz como estava, não me importava de ser uma simples vagabunda da escola. Se você não falasse que me amava eu continuaria sendo só mais uma piranha de Sera Fuku (Uniforme de colegial). Eu gostava daquilo, gostava da forma que os homens me olhavam. Gostava do toque de varias mãos sobre minha pele. Não me importava com aquilo, me excitava. Eu gostava de ficar com vários. Era como uma “coleção” em que só eu tinha todas as peças.
Eu era uma piranha, ninguém podia me amar, mas você apareceu. Deu-me um beijo e disse “eu te amo”, pela primeira vez fui tratada com carinho e não apenas com desejo. Senti pela primeira vez meu coração bater. Pela primeira vez alguém gostava de mim e não se importava com o que eu era. Você me assumiu sem medo, enfrentou a todos com a cabeça erguida e nunca teve vergonha de dizer a ninguém que eu era sua namorada e que você me amava.
Sabia o risco que corria, sabia que era quase certo que eu te trairia, mas quando questionado sobre isso dizia apenas uma frase, “Eu a amo por isso confio nela”. Eu não conseguia te trair por que você acreditava em mim. Acreditava mesmo sabendo ser praticamente impossível ter a minha lealdade. Eu mudei por causa da sua confiança, não te trairia nunca, não poderia ferir alguém como você, não poderia machucar a única pessoa que realmente acreditava que eu era uma boa pessoa, não poderia trair você que era o único que acreditava que eu era uma mulher digna de receber um pouco de amor de verdade.
Você me ensinou a ser uma mulher, deixei de ser a vagabunda e me tornei uma mulher feliz. Por você comecei a levar os estudos a sério, por você eu aprendi a apreciar as coisas pequenas. Troquei uma coleção de homens sedentos por uma coleção de minutos felizes ao seu lado. Nestes minutos eu me encantava com cada palavra que me dizia, cada sonho seu passou a ser importante para mim e meu único sonho era que os dias não terminassem para não ter de sair do seu lado.
Seu merda! Por que morreu agora? Logo agora... Daqui a um ano iríamos para Tóquio. Iríamos estudar e trabalhar no Pub que meu pai abriu depois de muito esforço. Eu estava feliz pois teria uma vida nova. Uma vida em um lugar onde ninguém me conhecia e não precisaria sentir vergonha do que fiz no passado. Uma vida onde eu estaria ao seu lado.
Lembro-me de você dizendo que no mês que nos mudaríamos seria um mês de Azure Moon (Lua Azul), a lua do amor como gostava de falar por causa das músicas americanas que escutava. Aonde vai estar o meu amor quando eu partir? De que vai adiantar passar por uma Azure Moon sem você? Sem você eu nem saberia que ela existe, sem você eu seria apenas mais uma piranha de Sera Fuku.”.
As palavras gritadas de Kaori são repentinamente escondidas por um choro compulsivo e doloroso. A jovem chora com os olhos fixos na fumaça que sobe da chaminé do crematório. Está sozinha como sempre esteve, mas o vazio parece ser maior desta vez.
A poucos metros dela uma figura esconde-se atrás de uma grande cerejeira. Um rapaz escuta o sofrimento de Kaori e também sofre por ela e seu amigo que morrera. Este rapaz é Hiroshi, um dos melhores amigos de Ryuji e apaixonado por Kaori há anos. Desde o dia do inicio do namoro deles adotou um “esporte” muito incomum para um jovem, resmungar.
“Que merda de sentimento estranho! Não consigo deixar de estar um tanto feliz por Ryuji não estar mais aqui e ao mesmo tempo não consigo acreditar que perdi um amigo como ele. Da mesma forma que me senti no dia em que ele começou a namorar Kaori. Eu queria que ele morresse naquele dia, mas ao mesmo tempo estava feliz por que meu amigo havia encontrado o amor que tanto procurará. Mas tinha que ser logo ela?
Ryuji não sabia que eu a amava. Eu sempre dizia que gostava de alguém, mas tinha vergonha de dizer por causa dos atos dela. Pensei em mandar um e-mail dizendo a ela o que eu sentia, mas Ruiji me disse, “Certas coisas não podem ser ditas através de pontos de luz em uma tela de vidro. Tanto faz se são boas ou ruins, de qualquer forma é deslealdade privar os olhos de “escutarem” a sinceridade das palavras”. Ele seria apenas mais um filho da puta romântico se não estivesse certo. Conquistou Kaori com a única coisa que não tive coragem de fazer por puro preconceito. Ele disse que a amava.
Agora não tenho nem coragem de chegar perto dela para consolá-la. Tenho medo de estar traindo um amigo e tenho medo de ser recusado por ela, o que não seria muito difícil de acontecer na situação atual.
Kami-Sama (Deus) o que eu faço?
Quem sabe até está tal de Azure Moon eu tenha uma chance de estar perto dela? Afinal daqui a um ano eu também vou para Tóquio. Pelo menos tenho algo em comum com Kaori. Talvez seja uma chance de me aproximar, planejar algo com ela.
Do que estou falando? Meu amigo morreu e só no que consigo pensar é em conquistar a namorada que ele deixou.”
Os resmungos de Hiroshi param, seus olhos se fecham e tímidas lágrimas começam a rolar por seu rosto. A noite cai e uma linda lua cheia aparece em meio às nuvens. Ele continua lá, encostado na grande cerejeira e a poucos metros a mulher que ama chora por seu amigo morto.
O que acontecerá agora, talvez só o tempo possa dizer.
sábado, 5 de maio de 2007
Vago sozinho pelas ruas em busca de respostas. Respostas para frases feitas que certas vezes fazem um sentido aterrador. Respostas para o vazio que insiste em permanecer em minha mente. Um estado de torpor toma conta de meu corpo e principalmente de meu coração. Nada me satisfaz, preciso sentir minha alma mais uma vez. A gentileza de antes não habita mais minhas palavras. Talvez já tenha encontrado a resposta que tanto queria. Há anos a procuro. Parece-me que desta vez consegui encontrar.
Nos olhos das pessoas que passam vejo amor, prazer e ódio. Sentimentos comuns nos dias de hoje, “coisas” sem valor para a maioria delas.
“Deus criou os sentimentos apenas para causar dor ao ser humano.”
Certa vez ouvi está frase de um “profeta das ruas” no centro da cidade após uma longa bebedeira. Às vezes acho que este profeta era o mais sábio dos santos.
Meus sentidos falham pouco a pouco, uma leve tontura acentua o estado de torpor de minha mente. Este estado me irrita profundamente.
Por que não passa?
Por que tenho que passar por isso?
Estas respostas eu tenho. A culpa é minha, demorei demais, na verdade nunca deveria ter começado.
Continuo andando, alguns quilômetros se passaram desde que comecei esta caminhada sem rumo. Paro em frente a um prédio que conheço bem. Finalmente algo passa por minha mente. Um alento afinal, uma lembrança, duas taças de vinho e uma pequena Deusa nórdica. Neste dia não senti falta, quando estive neste prédio senti apenas prazer e alegria. Não havia espaço para o que hoje me deixa louco.
Penso em voltar para casa, mas meu corpo parece não obedecer, precisa se livrar de algo ruim e teima em continuar andando. Talvez mais alguns quilômetros de caminhada possam me livrar do que me angustia.
As ruas estão tranqüilas, mas uma brisa fria e cortante parece querer ferir minha pele. Meus sentidos agora estão à flor da pele. Qualquer detalhe é sentido com a intensidade de um trovão.
Caminho cada vez mais rápido, tento fugir de algo que sei que ainda vai perseguir-me por algum tempo. Não sinto mais meus passos a irritação continua. Minha vontade é jogar-me em baixo de algum carro. Neste momento gostaria de ser assaltado, com certeza reagiria ou imploraria de joelhos para que o assaltante tivesse a nobreza de dar-me um tiro no meio da testa. Balas perdidas, sempre tive medo delas, hoje peço para que alguma me encontre.
Que merda fui fazer!
Definitivamente a gentileza desapareceu de minhas palavras. Um mendigo se aproxima e pede-me um cigarro. Nunca fui mal educado com estas pessoas, mas desta vez só o que o sai de meus lábios é um sonoro “Não fode!”. Realmente a gentileza acabou.
Que vontade de tomar um café! Ao pensar nisso lembro de algo que não vai fazer-me bem lembrar. Parece que quanto mais tento não lembrar mais me vem à cena a cabeça. Não posso, simplesmente não posso continuar nesta merda.
Por que logo comigo isso tinha que acontecer?
Mais uma vez vem-me à resposta como um soco no estômago. “A culpa é toda sua!”. Sem duvidas a culpa é minha. Sem duvidas o otário fui eu de acreditar em algo que sabia ser errado e ainda assim ter me metido nisso. Um dos meus mestres sempre disse:
“Não adianta pedir desculpas por ter feito algo que de ante mão sabias que era errado.”
Chego ao final de uma grande avenida. Para onde vou agora? Lembro-me então que estou perto de um mirante, olhar o mar pode fazer-me bem, sempre me acalmou. Chegando lá compro um suco de pêssego e dirijo-me ao parapeito principal. O vento frio e o cheiro da água salgada me acalmam por alguns instantes. Meus sentidos ainda estão aguçados sinto coisas que antes não sentia. Estou concentrado no perfume do mar quando sinto um cheiro estranho. Agora a gentileza que já não habitava minhas palavras por causa da irritação acaba de deixar meus pensamentos também.
“Quem é esse filho da puta que resolveu acender um cigarro do meu lado logo agora?”
Desvio meu olhar para o lado e um velhinho simpático está degustando um “delicioso” Marlboro vermelho. Se minha vontade de fumar não fosse tanta, juro que não entenderia o prazer que aquele senhor demonstrava em cada tragada profunda.
Eu não devo fumar, mas quero muito um cigarro agora. A causa de todo meu sofrimento é o cigarro, sei que toda minha irritação está ligada diretamente a este vicio que adquiri há anos atrás e agora estou deixando. A culpa de estar irritado e com está sensação horrível dentro de mim é toda minha. Eu deveria ter parado de fumar antes, a abstinência seria menos severa. A culpa é minha, não deveria nem ter começado. Agora só o que me resta é pagar pelo mal que me fiz e agüentar isso. Espero que meu esforço sirva como exemplo para os outros, mas só quem sente na pele sabe como é difícil largar este “delicioso” vício maldito.
Não estou em um dia particularmente bom, mas precisava me espressar de alguma forma. Sei que muitos não vão entender e os curiosos vão procurar a tradução desta música no google ou qualquer outro buscador, adianto logo que existe uma tradução em português, só não sei se vão entender o motivo pelo qual estou postando aqui.
Bem, só posso dizer que algo se quebrou.
Beijos a todos
Agora a música e a letra original.
A cantora é Ai Otsuka (大塚愛) minha cantora e compositora favorita.
O clip que prometi no old songs é este. Se encaixa perfeitamente com este post. Boa leitura.
Pensamentos sob a luz negra
-Edição 7-
“Outono ou Primavera”
Fiz-me uma pergunta durante esta madrugada. “Por que viver no outono se a primavera é sempre mais gostoso?” Parece besteira, mas a grande maioria das pessoas vive num outono eterno. Uma estação morna, que nos leva a cometer atos que nos levarão as lágrima apenas para tentar compensar o marasmo e a insegurança que ela nos traz.
Por que as pessoas complicam tanto a vida quando ela é tão simples?
Por que nós precisamos de copos de cristal se num copo de vidro a água vai ter o mesmo gosto?
Por que precisamos de um bolo “Floresta Negra” da Chaika se o “Nega Maluca” feito no nosso forno num dia de domingo é sem duvida muito melhor? Se não for pelo gosto, pelo carinho com que foi feito. (se for feito a quatro mãos se torna ainda mais prazeroso.).
Por que diversas vezes trocamos a certeza de um amor sincero por uma serie de aventuras sem sentido algum?
Por que às vezes choramos ao raiar do dia em ombros que não nos querem se quem te ama esta apenas a um telefonema de distancia e com certeza esta pronto para te abraçar?
“O outono machuca e às vezes vicia como a pior das drogas.”
Já a primavera nós conforta, abre nossos olhos para os pequenos detalhes que realmente fazem a diferença. A primavera nunca deixa que os amores sejam trocados por aventuras. O vento fresco sempre sopra, as flores sempre tem perfume, as abelhas não nos ferroam mais.
Na primavera não existe marasmo ou monotonia. Não precisamos de copos de cristal às vezes nem de copo algum, pois podemos beber a água direto da fonte ou até mesmo saciar nossa sede com um beijo, um beijo de uma pessoa que confiamos e que sabemos que não ira embora ao raiar do sol e mesmo que vá temos certeza de que vai voltar e dizer mais uma vez tudo o que sempre desejamos ouvir.
Viver na primavera é dar valor ao ver uma pessoa amada caminhar na praia como uma criança em uma tarde de terça feira em Copacabana. Viver na primavera é dar valor ao ver o sorriso de alguém ao ganhar um chocolate que estava querendo muito. Viver na primavera é saber perdoar os erros que cometemos no outono e lembrar de como foi gostoso aquele abraço no inverno. Os abraços, os abraços são muito mais apertados na primavera. Na primavera, a lua é tão bonita que sacamos nossas câmeras para fotografá-la e logo depois de vê-la nos abraçamos para registrar a alegria de ter feito isso, mesmo que a foto não fique boa.
Amigos, aqui vai um conselho:
“Esqueçam que existe outono e vivam a primavera!!!”
Comecem agora a viver a primavera de suas vidas. Ao lerem isso comecem a dar abraços mais apertados em pessoas que realmente façam a diferença. Escrevam uma carta ou e-mail dizendo o quanto algum parente distante te faz falta. Diga bom dia com alegria mesmo que seja via Chat. Diga bom dia para você mesmo ao olhar o espelho pela manhã.
Percebam que a vida esta te dando uma chance de ser feliz e não a desperdice. Pegue o telefone e ligue para uma pessoa que te ama de verdade nem que seja para escutar a voz dela sem dizer muita coisa, com certeza esta pessoa vai ter um dia mais feliz e você também. De uma chance a você mesmo de amar alguém que te ama da forma que você sempre quis, o medo só nos impede ser feliz.
“A vida é feita de momentos de simplicidade, a felicidade habita a inocência dos olhares e apenas na primavera podemos viver isso intensamente”.
Está música tem muito haver com o "Old memories" e por isso esta sendo postada aqui.
A banda é Within Temptation um dos maiores expoentes do Gotic Rock e Sinfonic Metal Holandes, a música é Memoriese é dificl dizer o que é mais lindo, a música, a letra, Sharon Den Adel (a vocalista) ou a voz lírica e quase hipnótica de Sharon.
Daria meu braço direito para estar neste show. Vejam e escutem, depois leiam meu texto.
Domingo 16 de abril de 2007- Ipanema – Casa de cultura Laura Alvin -
Hoje foi um daqueles dias que eu desejaria ter ficado na cama o dia inteiro, não estava bem, um tanto deprimido e me sentindo derrotado. Um típico dia em que você se acha um lixo, todos nós passamos por isso vez ou outra. Mas, quando temos amigos eles sempre tentam nos arrastar para fora de nossos pensamentos obscuros e mostrar que ainda ha luz se andarmos mais um pouquinho. Neste caso o amigo em questão é o Fafas (um coração peludo, ranzinza e um pouco grosso, nada indicado para tirar alguém de um estado melancólico. Pelo menos não de forma “simpática”), mas ao invés de mostrar que havia luz a frente ele mostrou-me quanta luz eu deixei para traz.
Pois é este amigo me arrastou de casa no domingo à noite para andar no calçadão de Copacabana. Tentou a todo custo descobrir qual o motivo da minha melancolia, mas para variar eu não disse, apesar dele ter certeza do que me afligia. Desculpe Fafas, mas não vou te torrar o saco com este assunto. Você vai continuar ouvindo as mesmas frases durante um tempo.
As frases são:
Sobre o Assunto um: Ta, ta tudo bem. Sim, não vou negar gosto muito. Não, não vou te falar.
Sobre o Assunto dois: Sim, quero. Não, não posso. Sim, sei que é linda. Ta, se eu decidir pegar um avião eu te coloco na mala e faço questão de esquecer esta mala na frente do prédio onde John Lennon foi morto.(se ele torrar muito meu saco eu deixo a mala na frente do YMCA que o assassino se hospedou antes de matar John Lennon)
Depois destas frases típicas de quem falou tudo sem dizer nada (para um bom entendedor meia palavra basta, né?) começamos a andar em direção a Ipanema, conversávamos sobre trabalho, para variar, quando ele teve uma idéia. “Porra, to com vontade de tomar um café, vamo lá no Laura Alvin, to com disposição pra andar hoje!”. Eu já estava andando mesmo então só continuei e fomos tomar o tão sonhado café do Fafas.
Chegando lá nos sentamos, pedimos dois expressos e continuamos a falar de trabalho. Num dado momento, não sei por que, ele falou de umas fotos antigas que havia encontrado. Estas fotos foram feitas no antigo local de trabalho dele. Nelas estavam alem de nós alguns amigos, dois deles muito queridos e muito presentes até hoje em nossas vidas, estou falando da B e do Mauro.
Bons tempos aqueles, lembro bem das gargalhadas que escutava ao chegar na pequena sala no fundo do corredor. Está sala sempre esteve cheia de gente conversando sobre qualquer besteira ou mesmo vendo algum vídeo novo, ou velho, que alguém havia baixado na Internet. Lembro de quando conheci o Mauro, nunca fomos muito íntimos, mas sempre gostei dele, uma figura raríssima e quem o conhece sabe o quanto é inteligente e engraçado. Fui apresentado a ele no primeiro dia em que fui ao trabalho do Fafas. Fizemos algumas fotos para um trabalho de faculdade, uma campanha contra as drogas. Mauro foi um dos modelos e sua foto foi a mais cômica de todas com uma folha de caderno enrolada para parecer um baseado. Rimos muito neste dia.
Lembro-me também do dia em que conheci a B. Eu estava sentado tranqüilamente diante à porta da sala quando um solavanco a abre e adentra uma linda “girafa desvairada” de 19 anos gritando bom dia (o engraçado desta cena é que eram 2 da tarde). Foi à primeira vez que vi seu sorriso e não fazia idéia da importância que ele teria mais tarde.
A partir daí vivemos muitos momentos alegres neste lugar. Sempre regados à coca-cola em copos de plástico e biscoito da vaca. Neste tempo nenhum problema importava, dinheiro não fazia falta, as gargalhadas eram mais altas os sorrisos tinham mais brilho. Hoje nos vemos em dilemas que naquela época não havia e se houvessem teriam sido resolvidos de forma mais pratica e delicada ou ate não precisariam ser resolvidos, hoje é preciso dar uma chance para resgatar a essência daquela época e fazer os sorrisos brilharem de novo. Eu quero esta chance basta à oportunidade me ser dada para que eu faça os sorrisos brilharem mais uma vez.
Nossa, a nostalgia foi tanta que nem percebemos que o café havia acabado. Resolvemos então voltar para a minha casa. Tentamos falar de trabalho mais uma vez, mas não adiantava nossas lembranças agora não nos deixavam. No caminho de volta só existia gargalhadas, sorrisos, B, Mauro e coca-cola com biscoito da vaca.
Finalmente chegamos em minha casa. Estávamos cansados da caminhada, mas felizes por termos tantas lembranças boas. Já que estávamos nesta onda de nostalgia o Fafas resolveu mostrar-me o novo site do Johny Cash, nele é possível escutar boa parte de suas músicas. A frase que se seguiu enquanto eu pegava uma garrafa de coca-cola zero foi: “Dá o play e deixa o “Dj randon” nas pikups!!!!”
Enquanto a poeira melancólica das musicas de Johnny Cash saiam das caixas de som, finalmente lembrei de mostrar ao Fafas meus vinis antigos. Enquanto os pegava no armário encontrei duas antigas agendas minhas, as lembranças pareciam estar me perseguindo neste domingo.
Entreguei os discos ao Fafas e voltei minha atenção para as agendas que me levaram a um passado ainda mais distante. Era difícil acreditar nas lembranças que estas duas agendas tinham. Nela encontrei bilhetes e cartas escritos pela Tice, ate guimba de cigarro assinada ela havia me dado e eu guardei. Uma carta dela me chamou a atenção, pois ela colou um curativo da Disney com um fio de cabelo grudado. Ela me deu esta carta no dia que me deu uma cara-metade. Pediu para que se algum dia nós brigássemos e ela não quisesse mais olhar na minha cara que eu devolvesse a cara-metade e a carta para que ela lembrasse o quanto me ama, mas se fosse o contrario ela ia me torrar o saco até eu falar com ela. As lagrimas quase vieram nesta hora, mas me segurei e continuei olhando as agendas.
Achei muita coisa nelas, não teria como dizer tudo aqui, mas algumas me tocaram profundamente, uma delas foi encontrar o rascunho de um bilhete que escrevi para minha ex-mulher no dia em que a pedi em namoro. Foi bom reler isso, lembrei de um tempo em que fui amado e amei muito. Apesar da magoa que me corroeu por muito tempo sei que naquele momento existia amor. Hoje lembro deste e de outros momentos com ela de uma forma muito carinhosa e peço a Deus que ela seja feliz.
O Fafas e eu escutamos todas as musicas do Johnny Cash nesta noite, rimos muito das minhas anotações de empregos passados e claro de alguns bilhetes da Tice. Foi bom relembrar o brilho da luz que jamais vai se apagar no meu passado. Fiquei um pouco mais feliz neste dia e vou vasculhar mais para encontrar outras lembranças, duas delas já encontrei, achei um postit que a B deixou na minha geladeira e uma foto antiga de uma menina que conheci em minas e reencontrei anos depois aqui no Rio, mas isso fica para outro texto, já me alonguei muito neste.
Obrigado a todos os que leram e aos meus amigos obrigado por fazerem parte da minha vida. Tenho muita satisfação em poder compartilhar um pouquinho das minhas alegrias com vocês.
Tadeu
PS: Aguardem um “nostalgia 2” com certeza vou escrever outro texto destes. Alguém se habilita a vasculhar meus armários comigo? Afinal não tem graça ver minhas lembranças sem ter alguém para mostrar na hora. rsssssss
Pensei muito antes de escrever sobre uma pessoa tão especial. Por mais que eu saiba que me expresso melhor com letras do que com a fala sempre fica aquele medo de não conseguir dizer tudo. Mas, mesmo que eu quisesse muito não conseguiria dizer tudo sobre esta menina de cabelos ruivos que tanto amo.
Entendo minha vida com a Tice como um filme que jamais vai acabar. Sabe aqueles filmes tão bons que você não quer sair mais do cinema? Pois bem é assim a minha amizade com ela. Cheia de sorrisos alegres e nervosos, lagrimas de dor e de felicidade intensa, despedidas e reencontros, telefonemas que podem durar horas mesmo sem nada para falar.
É estranho o modo como nossas vidas se cruzaram desta forma. Nos conhecemos a mais de 15 anos, mais da metade de nossas vidas e no inicio não havia possibilidade de nascer uma amizade como esta. Na verdade não existia possibilidade de haver nem cordialidade entre nós. Mas estávamos mesmo predestinados a chegar a está amizade que beira o vicio. Com ela eu percebi como o mundo da voltas e é impossível prever onde vamos chegar.
Lembro de tantas alegrias e tantas besteiras que fizemos juntos, lembro dos postes de Ipanema sendo importunados com dois malucos bêbados rodando em volta deles cantando “pais e filhos” do legião urbana. Lembro das garrafas de “contine” na praia de Copacabana em madrugadas onde nossas risadas eram ouvidas pelo mundo inteiro. As pizzas no Barril 1800 onde as toalhas de papel serviam de diário para registrar fatos de nossas vidas que até Deus duvidaria. Lembro dos antigos amigos que se afastaram e apenas nós dois permanecemos tão unidos. Lembro principalmente de todos os filmes que assistimos juntos no cinema, foram mais de 60, pelo menos pelas contas dos ingressos que ainda tenho guardados.
Tice, lembrar dela é como rever o mais fabuloso e fantástico dos filmes já feitos. Lembrar de nossa amizade é um convite à emoção de saber que o amor existe de uma forma tão intensa que mesmo a quilômetros de distancia sua presença continua aqui do meu lado. A Tice sem duvida é a protagonista e coadjuvante dos momentos mais felizes da minha vida.
Infelizmente ela também foi à protagonista do momento mais triste que já vivi. Peço desculpas por isso, mas um amor obsessivo me afastou dela por um tempo. Lembro com um nó na garganta o dia em que fui obrigado a lhe dizer adeus. Estava em sua casa e ela muito triste por que seu gato Eros havia morrido. Eu queria apenas ver seu sorriso mais uma vez antes de abandonar minha antiga vida para viver um amor. Naquele dia eu a abracei mais apertado do que de costume. Ela deve ter pensado que foi apenas pela dor que estava sentindo pela perda de Eros, na verdade o que eu queria era levá-la comigo, queria que aquele abraço não terminasse nunca. Não tive coragem de dizer a ela o que ia fazer. A deixei naquele dia e caminhei sem rumo pelas ruas me perguntando se eu realmente devia estar fazendo aquilo. Nunca havia chorado como naquele dia, nem quando me separei chorei daquela forma.
Foram quase dois anos sem contato, meu casamento estava acabando aos poucos e nada me dava mais alegria. Mas, como sempre digo “O Maluco lá de cima sabe o que faz” e um dia voltando da casa de meus pais após um dia de trabalho, uma pequena menina ruiva entra no ônibus e senta logo a minha frente. Meu coração apertado bateu mais forte e um “oi” saiu de meus lábios.
Sem duvidas este reencontro foi o momento mais emocionante da minha vida, precisava dela naquele momento e simplesmente ela apareceu. Não me julgou, na verdade desde o inicio me entendeu, mesmo sem saber quase nada do que estava acontecendo e do que havia acontecido. Ela mais uma vez se fez protagonista e esteve do meu lado por todo meu sofrimento e me fez sorrir nos piores momentos.
Tice, minha menina de cabelos ruivos, minha filha postiça, minha mais amada amiga. Você não faz parte da minha historia você é a minha historia. Sem você minha vida não faria o menor sentido, não vou conseguir escrever mais, pois esta ficando difícil enxergar o teclado em meio às lagrimas, mas saiba de uma coisa e nunca se esqueça disso:
“Hoje tenho mais que certeza de que ninguém, absolutamente ninguém pode roubar seu lugar no meu coração”
Te amo!
Tadeu
PS: Não esqueci do bolo no filme “Advogado do Diabo”!!!!!
“Quando a Morte escreve uma historia, nós devemos parar e ler”
Sexta-feira 23 de março – Livraria Argumento por volta das 19:00hs
“A menina que roubava livros”, este é o titulo do livro que estava perdido entre “A vida como ela é.” e “Sayonara Gangsters”. Na capa, um campo coberto de neve onde se vê uma árvore seca no canto esquerdo, no canto direito apenas uma figura diminuta vestida de preto protegendo-se da neve com um guarda-chuva vermelho. Esta figura passaria despercebida por olhos não tão curiosos quanto os meus, mas estes olhos identificaram em fração de segundos que a figura que ali estava era a mais clássica representação da Morte. Instintivamente virei o livro para ler a sinopse e saber do que se travava a historia, encontrei apenas uma frase em meio à imensidão branca da foto de capa que continuava na contra capa, “Quando a Morte escreve uma historia, nós devemos parar e ler.”.
O livro conta a historia de uma menina que escapou da morte três vezes e de tão impressionada a própria Morte resolve narrar sua historia. Ao ler isto na orelha do livro lembrei do meu “passado criativo”. Chamo de “passado criativo” as influências que tenho para escrever, fotografar, desenhar, ou seja, todos os tipos de expressões artísticas que desenvolvo. Este “passado” talvez seja uma das coisas mais importantes que tenho. É o que me faz ser único e o que me acompanha em todas as atividades que desenvolvo, sejam profissionais ou pessoais.
Meus amigos íntimos mais recentes provavelmente acham que meu “passado criativo” tem como única e principal influência o oriente, mais especificamente o leste asiático. Na verdade meu lado oriental é apenas minha alegoria preferida para desenvolver meus pensamentos. Minhas influências vêm de “lugares” muito diferentes do oriente. Minhas bases criativas estão diretamente ligadas à mitologia brasileira e greco-romana, literatura de fantasia européia, tratados de magia medievais, evangelhos apócrifos e literatura inglesa de mistério e ficção, além de historia em quadrinhos para adultos (não é pornografia e sim historias sérias em formato de grafic-novel).
É nesta ultima influência que entra o meu passado com a “Senhorita Morte”. Sem dúvida minha raiz criativa vem de um lugar chamado “Sonhar” onde Morpheus, a personificação do Sonho, reina absoluto. Estou falando de “Sandman” a obra prima de Neil Gaiman, escritor de historias em quadrinhos inglês.
Nesta obra a Morte é personificada por uma bela jovem gótica que leva em seu peito um Ank (Símbolo egípcio) e é irmã de Sonho (Morpheus). Ironicamente Morte é o contra ponto alegre de um Sonho depressivo e neurótico. Ela não é má em nenhum ponto, pelo contrario, Morte é uma das mais afáveis e alegres dos perpétuos (irmãos de Sonho e Morte. São eles: Destino, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio.). Ela não despreza os humanos que vem buscar, na verdade os entende como nenhum outro, mostra aos humanos que Ela não é o fim e sim o começo de algo novo e maravilhoso. Como bem disse Wallace Stevens: “A morte é mãe da beleza.”
Trazendo está definição da Morte para a vida real vemos que, a Morte é a transformação e o caminho que nos leva a ela é o medo, ou seja, nós caminhamos pelo medo a cada segundo tentando fugir da Morte, mesmo sabendo que é inevitável. Nós mentimos para nós mesmos, a cada passo que damos tentamos ganhar mais um segundo de “vida” tentando chegar num amanhã que nunca ira chegar, pois o amanhã é o futuro e quando chegamos no futuro ele vira presente, quando ele passa já é passado e por conseqüência chegamos mais perto da Morte.
Agora, sabendo que a Morte é uma transformação que nos leva a compreensão e aceitação das coisas belas da “vida”, somos obrigados a ver certas coisas de outro ângulo, vemos que o medo é uma prisão que nós mesmos criamos. Quando falo do medo, falo de sentimentos e quando falo da Morte, falo da transformação de um sentimento em outro ainda maior e mais belo. O medo (caminho) é o medo do amadurecimento que nos leva a transformação (Morte). Este é o conflito de todas as minhas historias e este é o conflito da vida de cada um de nós. Está é a raiz de todo meu “passado criativo” e é isso que vou mostrar nos “pensamentos de terras distantes” que começará na primeira semana de abril.
Com isto espero ter mostrado de que forma minha criatividade funciona e que com esta “viagem” vocês consigam se livrar das garras do medo e aceitar a Morte (transformação) com toda beleza e alegria que ela pode nos proporcionar.
Como diz o titulo da primeira minissérie da Morte dentro da obra de Neil Gaiman :