Pensamentos sob a luz negra
-Edição 5-
“Quando a Morte escreve uma historia, nós devemos parar e ler”
Sexta-feira 23 de março – Livraria Argumento por volta das 19:00hs
“A menina que roubava livros”, este é o titulo do livro que estava perdido entre “A vida como ela é.” e “Sayonara Gangsters”. Na capa, um campo coberto de neve onde se vê uma árvore seca no canto esquerdo, no canto direito apenas uma figura diminuta vestida de preto protegendo-se da neve com um guarda-chuva vermelho. Esta figura passaria despercebida por olhos não tão curiosos quanto os meus, mas estes olhos identificaram em fração de segundos que a figura que ali estava era a mais clássica representação da Morte. Instintivamente virei o livro para ler a sinopse e saber do que se travava a historia, encontrei apenas uma frase em meio à imensidão branca da foto de capa que continuava na contra capa, “Quando a Morte escreve uma historia, nós devemos parar e ler.”.
O livro conta a historia de uma menina que escapou da morte três vezes e de tão impressionada a própria Morte resolve narrar sua historia. Ao ler isto na orelha do livro lembrei do meu “passado criativo”. Chamo de “passado criativo” as influências que tenho para escrever, fotografar, desenhar, ou seja, todos os tipos de expressões artísticas que desenvolvo. Este “passado” talvez seja uma das coisas mais importantes que tenho. É o que me faz ser único e o que me acompanha em todas as atividades que desenvolvo, sejam profissionais ou pessoais.
Meus amigos íntimos mais recentes provavelmente acham que meu “passado criativo” tem como única e principal influência o oriente, mais especificamente o leste asiático. Na verdade meu lado oriental é apenas minha alegoria preferida para desenvolver meus pensamentos. Minhas influências vêm de “lugares” muito diferentes do oriente. Minhas bases criativas estão diretamente ligadas à mitologia brasileira e greco-romana, literatura de fantasia européia, tratados de magia medievais, evangelhos apócrifos e literatura inglesa de mistério e ficção, além de historia em quadrinhos para adultos (não é pornografia e sim historias sérias em formato de grafic-novel).
É nesta ultima influência que entra o meu passado com a “Senhorita Morte”. Sem dúvida minha raiz criativa vem de um lugar chamado “Sonhar” onde Morpheus, a personificação do Sonho, reina absoluto. Estou falando de “Sandman” a obra prima de Neil Gaiman, escritor de historias em quadrinhos inglês.
Nesta obra a Morte é personificada por uma bela jovem gótica que leva em seu peito um Ank (Símbolo egípcio) e é irmã de Sonho (Morpheus). Ironicamente Morte é o contra ponto alegre de um Sonho depressivo e neurótico. Ela não é má em nenhum ponto, pelo contrario, Morte é uma das mais afáveis e alegres dos perpétuos (irmãos de Sonho e Morte. São eles: Destino, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio.). Ela não despreza os humanos que vem buscar, na verdade os entende como nenhum outro, mostra aos humanos que Ela não é o fim e sim o começo de algo novo e maravilhoso. Como bem disse Wallace Stevens: “A morte é mãe da beleza.”
Trazendo está definição da Morte para a vida real vemos que, a Morte é a transformação e o caminho que nos leva a ela é o medo, ou seja, nós caminhamos pelo medo a cada segundo tentando fugir da Morte, mesmo sabendo que é inevitável. Nós mentimos para nós mesmos, a cada passo que damos tentamos ganhar mais um segundo de “vida” tentando chegar num amanhã que nunca ira chegar, pois o amanhã é o futuro e quando chegamos no futuro ele vira presente, quando ele passa já é passado e por conseqüência chegamos mais perto da Morte.
Agora, sabendo que a Morte é uma transformação que nos leva a compreensão e aceitação das coisas belas da “vida”, somos obrigados a ver certas coisas de outro ângulo, vemos que o medo é uma prisão que nós mesmos criamos. Quando falo do medo, falo de sentimentos e quando falo da Morte, falo da transformação de um sentimento em outro ainda maior e mais belo. O medo (caminho) é o medo do amadurecimento que nos leva a transformação (Morte). Este é o conflito de todas as minhas historias e este é o conflito da vida de cada um de nós. Está é a raiz de todo meu “passado criativo” e é isso que vou mostrar nos “pensamentos de terras distantes” que começará na primeira semana de abril.
Com isto espero ter mostrado de que forma minha criatividade funciona e que com esta “viagem” vocês consigam se livrar das garras do medo e aceitar a Morte (transformação) com toda beleza e alegria que ela pode nos proporcionar.
Como diz o titulo da primeira minissérie da Morte dentro da obra de Neil Gaiman :
Morte: O Grande momento da vida.
Tadeu.



1 Comment:
Agora sim: estou comentando.
E claro, Neil Gaiman é um ser fora de série, não dá para entender o que se passa na cabeça dele (da mesma forma que não dá pra entender a sua, rss).
Mas o que você disse sobre "olhos curiosos" sobre a morte é engraçado, porque eu não faço idéia do que seja exatamente do que se trata "O Sétimo Selo" (Vcs sabem que eu não leio sinopse), mas a imagem daqueles dois atores fantásticos influenciaram tanto, que hj a imagem da morte se tornou rotulado aquela criatura pálida com capa e foice. E de que porra eu estou falando? Isso é convivência...rs Enfim, compre o livro e depois me empreste. Abraço.
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