Old Songs

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Pensamentos sob a luz de um projetor oriental

    Bem... Aos poucos que comentam e aos muitos que entram e me falam pessoalmente ou por mail (né Flavia!), peço desculpas pela falta de atualização e por não ter publicado o segundo Capitulo do “Azure Moon” ainda. O problema é que estou com pena de cortar um pedaço do capitulo dois, pois ele esta imenso. Talvez eu faça dele dois capítulos, mas ainda não decidi. Desculpem por isso rssssssssssss Sei que estão curiosos e prometo publicar em breve.




Pensamentos sob a luz de um projetor oriental



    Há algumas semanas estou me dedicando ao meu maior vicio, ou seja, cinema. Mais especificamente cinema oriental, especificando mais um pouco, produções do leste asiático, sendo ainda mais especifico, filmes do eixo Japão, Coréia e China.
    
    Quando digo que gosto de cinema oriental a grande maioria das pessoas logo pergunta, “Nossa você ainda tem saco pra assistir aqueles filmes de samurais lutando kung-fu que nem o Bruce Lee?”, no principio eu ficava chateado, mas agora dou boas gargalhadas quando escuto algo do tipo. Não desgosto de filmes de ação e artes marciais, afinal já fui criança e assistia a seção kung-fu da bandeirantes sábado a noite, mas o cinema asiático tem muito mais a oferecer do que isso e não estou falando dos famosos filmes de terror japoneses.
    
    A primeira coisa a se fazer quando você se depara com um filme vindo daquelas bandas é:Esqueça os estereótipos. Ao assistir isso você vai entrar no universo de mentes que realmente pensam, ou seja, não vai encontrar nenhuma advogada loira e cabeçuda que ninguém sabe por que cargas d’água ganhou um Oscar. Estará entrando em uma cultura com valores bem diferentes dos nossos, mas que se assemelha tanto a nós que logo você esquecerá que existem diferenças culturais.

    Não conseguiria falar deste vicio em apenas um post então para organizar vou dividir este texto e inaugurar agora uma seção de cinema Asiático e em breve uma seção de cinema Europeu (neste caso os franceses e espanhóis). Para organizar vou dividir os posts por país e em alguns casos por gênero. Para começar vamos fazer uma pequena viagem ao cinema sul coreano.






    Como primeiro exemplo do novo cinema asiático vou falar de um filme que poucos conhecem aqui no Brasil. O filme é “SadMovie”, uma produção Coreana que como o próprio nome diz (não escrevi errado lá eles juntaram as palavras mesmo, questão de estética pro cartaz) é um filme triste. Na verdade é muito triste, uma porrada no estômago quase literal. O filme começa bem, alegrinho e os personagens te cativam de uma forma tão intensa que você torce por eles o tempo todo, ai o roteiro vira e não tem como conter as lágrimas. Você chora compulsivamente, não tem como escapar, nem o mais turão dos machistas consegue conter as lagrimas diante de uma surdinha apaixonada por um desenhista de parque de diversões. Um amor sofrido de uma jovem que namora um bombeiro dedicado capaz de dar a alma para salvar uma vida. Um jovem desempregado que faz de tudo para conseguir algum dinheiro para sair com a moça por quem se apaixonou, este jovem protagoniza as cenas mais hilariantes do filme quando funda uma agencia de separações para sustentar seu namoro, ou o que ele acha que é um namoro. E por fim um menino que descobre amar intensamente sua mãe relapsa quando está descobre ter um câncer de estômago.
    Todas estas historias se cruzam de maneira harmoniosa durante o desenvolver do filme. É sobre tudo um filme de personagens, não existe uma trama principal apenas sentimentos muito bem descritos e arranjados de forma a pegar o publico sempre pelo lado mais vulnerável e levá-los aos soluços sem enganar ninguém com finais felizes.








    Outro bom exemplo de cinema de qualidade elevadíssima vindo da Coréia é o mais recente filme de Park Chan-Wook (Conhecido aqui no Brasil por seu arrebatador Old Boy. Falarei deste filme no próximo post de quarta feira) “I’m a cyborg, but that’s Ok.”, uma inusitada historia de amor passada dentro de um sanatório. Não sei quem é mais louco, o diretor ou os personagens.
    Sem exageros posso afirmar que o filme lembra as pinturas de Dali, tocante e surreal ao extremo para caracterizar as viagens de uma menina que pensa ser um ciborgue de guerra que precisa devolver a dentadura a sua querida avó (que acredita ser um rato) e um jovem esquizofrênico que rouba os sentimentos e habilidades dos outros doentes.
    Este filme não foi sucesso de bilheteria em seu país de origem por não mostrar em nenhum momento que os pacientes podem vir a se curar, na verdade o filme mostra como dentro da loucura de roubar os sentimentos o jovem vai conseguir fazer a menina se alimentar, pois por acreditar ser um ciborgue ela tem medo de quebrar se ingerir algum alimento.
    Alem do casal principal os personagens secundários são um show à parte. O hilariante homem que se acha culpado de tudo que da errado no mundo. Ele é tão culpado que se privou do direito de andar para frente, sim ele anda de costas o filme inteiro (coitado desse ator). E a simpática doutora que sempre tem um sorriso nos lábios e parece preocupar-se mais em manter os pacientes seguros e saudáveis do que curá-los.
    O filme é uma comedia e não um dramalhão. Você ri tanto que às vezes esquece que a historia é séria e acaba sendo surpreendido com cenas belíssimas repletas de efeitos especiais de ótima qualidade e flashs da realidade de um doente mental internado.
    Hoje ao assistir este filme pela segunda vez o Fafas disse uma frase que sintetiza o quão bom o filme é: “Puta que paril eu quero esse DVD!”. Diante desta frase do meu amigo acho que da para entender por que este filme foi um dos mais aclamados do ultimo festival de Canne.







    Agora para terminar esta primeira “seção cinema coreano” vou falar do ultimo filme que assisti, “Barking Dogs Never Bite”. Um dos filmes mais leves, engraçados e politicamente incorretos que já vi. Achei este filme perfeito para reunir os amigos em volta de uma panela de pipocas no domingo à tarde, alem de divertido ainda te faz pensar.
    Se passa quase todo dentro de um condomínio de Seul onde um pobre desempregado sustentado por sua esposa grávida (e extremamente violenta e dominadora) tenta angariar dinheiro para subornar o reitor da faculdade onde existe uma vaga de professor. O problema é que ele não pode pensar por seu vizinho ter um cachorro chato que late o tempo todo, o que o leva a seqüestrar e cometer o assassinato do pobre canídeo.
    Mas, o cachorro tem como dona uma menina que logicamente faz cartazes para encontrar seu amado animalzinho. Para espalhar seus cartazes ela precisa de uma autorização do sindico do condomínio e nisso entra na historia a ajudante da secretaria do sindico (brilhantemente interpretada por Bae Du-na, falarei desta atriz no próximo post), uma jovem ingênua que tem o sonho de se tornar uma heroína e aparecer na tv.
    No inicio o filme apenas apresenta os personagens e suas historias cativantes e realistas, uma critica social muito bem montada e que se encaixa perfeitamente com a sociedade brasileira.     Depois dos personagens devidamente apresentados a historia se desenvolve a partir do momento que nosso querido desempregado percebe que matou o cão errado e vê-se obrigado a cometer seu segundo homicídio canino, mas desta vez é visto pela jovem aspirante a heroína. A partir deste ponto prepare o lenço, pois você vai chorar de tanto rir principalmente pela forma que o diretor ridiculariza seus personagens.
    Este é outro grande exemplo do que chamo de “filme de personagens”. Aqui, mas uma vez a historia principal é apenas uma alegoria para entrarmos no universo particular de cada um dos personagens, pessoas simples com dificuldades que todos nós temos. Pessoas engraçadas e deprimidas como qualquer um que podemos encontrar na rua.

    Espero ter aguçado um pouquinho a curiosidade de vocês sobre o cinema asiático. No próximo post de quarta feira continuarei na Coréia, mas desta vez falarei de filmes um pouco mais sangrentos numa edição especial sobre o diretor Park Chan-Wook.

P S: Antes que perguntem. Eu baixo a grande maioria destes filmes no emule. É possível encontrar filmes já com legendas em português ou dublados em espanhol, francês e italiano. Mas existem muitos sites brasileiros e portugueses que fazem legendas para estes filmes e sempre a os sites americanos para quem não tem problemas em ler legendas em inglês. Caso queiram alguma informação mandem um e-mail ou deixem nos comentários. Garanto que não vão se arrepender de ver algum filme destes. Qualquer cinéfelo tem o dever de assistir uma obra asiática na vida.

 
©2006-2007 'Focus' Por Claudya R.