Ola. Desculpem pela demora na publicação. Acabei “lambendo” um pouco demais o texto.
Está semana não publiquei os “pensamentos sob a luz negra”, mas voltarei a publicar semana que vem. Resolvi botar ordem na casa e agora temho dias específicos para publicação.
São eles:
Quarta-feira –Pensamentos Sob a Luz negra
Sábado – Pensamentos de Terras Distantes “Azure Moon”
Agora tentarei ser assíduo nas publicações e espero que gostem da leitura.
Abraços e beijos a todos.
Azure moon
Capitulo – 1
“Onee-chan”
No trem Kaori olha atentamente as ruas no mapa tentando decorá-las. São ruas estranhas para ela, mas logo farão parte de seu cotidiano. A partir de agora tudo será muito diferente. Não esta mais na província de Yamanashi. Está não é a capital Kofu. Agora Kaori está em Tóquio. Indo em direção ao bairro de Shibuya como havia planejado com Ryuji. Infelizmente ele não esta com ela.
Quase um ano se passou desde a morte de Ryuji e a moça mudou muito neste tempo. Isolou-se de quase todos os amigos, aproximou-se da família e principalmente de sua irmã Momoko que outrora era sua “pior inimiga”.
A rivalidade entre Kaori e Momoko era antiga. Momoko é um ano mais nova que Kaori e é fruto de uma gravidez complicada. Sua mãe engravidou pouco tempo depois do nascimento da primeira filha e por isso a criança nasceu com uma série de problemas de saúde. Por causa da saúde frágil Momoko tornou-se o centro das atenções de seus pais e de toda a família. Kaori era amada, mas sentia-se excluída ao ver a atenção prestada a sua irmã mais nova. Este é um dos grandes motivos que a levaram a ser uma rebelde e tornar-se à moça promiscua que foi ate encontrar Ryuiji.
Kaori nunca tratou bem a irmã, às vezes até fingia não a conhecer. Na escola, ficou muito irritada quando Momoko ganhou o direito de pular um ano devido ao seu excepcional rendimento nos estudos. Apesar do desprezo Momoko orgulhava-se de ser irmã de Kaori. Não concordava com suas atitudes, mas admirava sua força quando queria alguma coisa Além da popularidade, todos falavam com ela, todos gostavam de conversar com Kaori enquanto Momoko tinha como únicos amigos os livros e as revistas de moda que gostava.
Após a morte de Ryuji o isolamento de Kaori foi quase total. Durante as primeiras duas semanas seu único contato com o mundo fora de seu quarto era a mãe que levava suas refeições, e Momoko que todos os dias contava as novidades da escola em voz alta na frente do quarto da irmã. Kaori não entendia por que a irmã fazia isso e irritava-se com este falatório, mas resolveu não dizer nada achando que Momoko se cansaria e pararia de incomodá-la.
Mesmo sem haver resposta de Kaori a menina não desanimava e pontualmente as sete da noite plantava-se à frente da porta fechada e começava a falar sobre o dia que havia passado. Kaori ficou muito nervosa com isso nos dois primeiros dias, mas logo acostumou a ouvir a voz da irmã. No final da primeira semana sentava-se atrás da porta e esperava ansiosamente a irmã trazer as noticias do mundo de fora. Não falava nada, apenas ouvia e divertia-se com a ingenuidade de Momoko sobre certos assuntos. Kaori comparava-se a sua avó a escutar as noticias no rádio quando nova.
No fim da segunda semana Kaori sentada perto da porta de seu quarto notou algo estranho, sua irmã pela primeira vez se atrasará para o relato do dia. Kaori estranhou, pois Momoko sempre foi pontual, não se atrasava um só minuto. Dez minutos se passaram e nada de escutar a voz de Momoko. A jovem preocupada encosta o ouvido na porta tentando escutar algum som que denuncia-se a presença de sua irmã. A princípio não escutou nada, mas prestando atenção ouviu uns gemidos muito baixos, escutou por mais algum tempo e notou que os gemidos eram de alguém chorando.
Kaori afastou-se da porta e não sabia o que fazer. Tinha certeza de que era Momoko chorando, conhecia o choro da irmã muito bem, havia escutado varias vezes e em algumas foi à causa das lágrimas.
Ela decidiu abrir uma pequena fresta da porta para certifica-se de que era Momoko do outro lado. Ao olhar viu a irmã encolhida no chão abraçada a um livro. Chorava baixinho e de forma muito dolorosa. Kaori vendo-a sofrer, por instinto, abriu a porta e a abraçou. Momoko se aninhou nos braços da irmã e chorou por muito tempo. Kaori acariciava seus longos cabelos negros delicadamente, não sabia exatamente o que sentia, mas era um sentimento bom apesar do desespero da irmã.
Depois de um tempo Kaori a levou para o quarto e Momoko contou por que estava chorando. Havia deixado seu livro cair na lama e por azar um carro passou por cima dele. Ela mostrou o livro, estava sujo e rasgado, apesar disso aparentava ser um livro caro. Era uma edição especial com vários ensaios da revista Vogue Italiana, foram editados muito poucos como este e era realmente muito caro. Momoko disse que havia economizado por quatro meses o dinheiro que ganhava dando aulas particulares para comprá-lo. Kaori perguntou por que ela não pedirá o dinheiro para seus pais, não eram ricos, mas com certeza dariam um jeito de dar o livro a ela. Momoko respondeu:
___ Queira comprá-lo sozinha, pois sabia que você nunca pediria dinheiro para nossos pais. Você sempre foi independente desde pequena, quando queria alguma coisa sempre dava um jeito de conseguir sozinha. Eu queria ser assim, queria ser um pouco como você.
Agora foi a vez de Kaori chorar. Ela sentiu orgulho e um terrível sentimento de culpa por nunca ter dado atenção à irmã, nunca imaginou que era tão admirada por ela. Em meio as lágrimas Kaori diz algo que antes seria impossível falar:
___ Gomen nasai (desculpe-me)... Desculpe-me por não ter estado ao seu lado durante todos estes anos.
Depois deste pedido de desculpas as duas conversaram quase toda à noite. Kaori descobriu que o sonho de Momoko era ser estilista. Por isso o livro era tão importante para ela, não era o valor material e sim um pedaço de seu sonho que havia sido “atropelado” por um carro. Kaori se surpreendeu ao saber disso, sempre pensou que Momoko fosse se envolver com contabilidade ou administração como seu pai. Então a irmã lhe disse algo que a deixou extremamente emocionada.
___ Realmente estava decidida a estudar contabilidade para ajudar papai nos negócios, mas meu sonho sempre foi estudar moda. Não queria decepcionar papai, por isso escondi meus desejos e ia para a faculdade de contabilidade para agradá-lo. Só contei para uma pessoa o que realmente queria fazer, qual era meu sonho. Foi está pessoa que disse para eu correr atrás dele e não desistir. Disse que com certeza papai entenderia que meu caminho era diferente do dele e se orgulharia de mim de qualquer forma. Quem me disse isso foi Ryuji.
Kaori sorriu amavelmente e deu um beijo na testa da irmã dizendo:
___ Às vezes eu acho que Ryuji era um Buda disfarçado de apreciador de rock setentista. Siga o conselho dele, não poderia ser melhor.
A partir deste dia as irmãs tornaram-se amigas inseparáveis. Ryuiji havia conseguido fazer outro milagre, uniu Kaori e Momoko.
____ Onee-chan! (expressão usada para irmãs mais velhas) Onee-chan, chegamos! Vamos logo!
Kaori estava tão absorta olhando as ruas no mapa que não ouviu o anuncio da estação. As irmãs precisaram se apresar antes que o trem fechasse as portas e saísse. Uma corrida frenética e divertida se dá dentro do vagão. A alegria volta ao rosto de Kaori quando esta com a irmã.
Saem da estação de Shibuya e logo ficam perdias no meio da multidão. Shibuya é um dos bairros mais movimentados de Tóquio, principalmente em um sábado à noite.
___ Tem muita gente aqui. Como vamos encontrar o guia que papai mandou para nos levar ao Pub? ___ diz Momoko apreensiva.
___ Papai disse que ele estaria na frente da estátua de Hachiko. Bem... A estátua esta logo ali na frente, só não sei como este tal guia vai nos reconhecer. Por enquanto não temos outra opção a não ser esperar.___ fala Kaori um tanto intrigada.
As meninas dirigem-se para perto da estátua de Hachiko e lá esperam por mais de uma hora. Kaori está muito irritada, detesta esperar. A moça está preste a sacar o celular e ligar para o pai quando um rapaz se aproxima.
___ Oi, desculpe a demora. Eu ainda não conheço bem este lugar.
Ao olhar o rapaz às meninas gritam em coro:
___ Hiroshi?! Que diabos você está fazendo aqui?
___ Vocês não sabiam que eu estava aqui? Pensei que o Senhor Makimura tivesse falado. Estou trabalhando no Pub de vocês. Vim para Tóquio estudar.
Kaori torce o nariz e fala:
___ Por que não nos disse que viria para Tóquio. Pensei que você não ia sair de Kofu nunca.
Hiroshi pensa em falar, “tentei te dizer isso por um ano, mas você não me deixava nem chegar perto”, mas preferiu ficar calado.
Momoko timidamente diz:
___ Pessoal, vamos deixar esta conversa para depois. Estou com fome vamos logo pro Pub comer alguma coisa.
Kaori e Hiroshi concordam com um movimento de cabeça.
___ Bem Hiro-chan! (forma carinhosa de se referir às pessoas, como um apelido. Pode-se usar o nome todo ou apenas parte dele.) Você é o guia. Por onde vamos?___ Diz Kaori de forma sarcástica.
___ Eu acho que é por ali. Bem... Também pode ser pela rua atrás da estação? Não. É por aqui mesmo... Eu acho?
___ Como assim você acha? Você não chegou aqui? Você te quem saber voltar!
___ Calma Kaori! Eu vou levar a gente. Uma hora a gente chega lá. O problema é que eu me perdi para chegar aqui. É muita gente andando pelas ruas eu fiquei meio desnorteado. O povo aqui anda muito apressado.
___ Eu to com fome! ___ Diz Momoko.
Kaori está quase pulando no pescoço de Hiroshi quando olha para cima tentando se acalmar. No céu vê uma imensa lua cheia, fica praticamente hipnotizada com esta visão. Seus pequenos olhos puxados parecem tentar filtrar a luz do luar em meio ao excesso de néon das ruas de Tóquio. Ela pensa em Ryuji.
___ Onee-chan, você está bem? ___ diz Momoko preocupada, mas Kaori não responde.
Hiroshi a segura pelos ombros.
___ O que houve Kaori? Acorda! O que está vendo?
A menina olha para Hiroshi e o abraça. Lágrimas correm por seu rosto, lágrimas de saudade. O rapaz não sabe bem o que fazer e fica imóvel até Kaori dizer baixinho:
___ Azure moon. Hoje é o primeiro dia da Azure moon de Ryuji.
Hiroshi e Momoko olham para cima e vêem a lua cheia. Eles acham a lua realmente linda, mas não conseguem compreender a importância dela nesta hora. Eles precisam de mais algum tempo para entender está tal Azure Moon.


4 Comments:
Essa coisa de posts semanais me dá uma aflição enorme. Minha curiosidade é mórbida. rs
Putz, Haruki puro! As mesmas linhas, diálogos e etc... Nãoe esteja clonado, mas uma influência nata. Ótima para a história.
Abraço e me desculpe o atraso do coment. É vingança dos posts anteriores. rsss
Tsc, tsc, tsc... cadê a programação?
ual!!!!!
agora sim... li tudo numa boa, maravilha!!!! nem deu tedio nem vontade de sair logo!!!!
Ficou mlehor pra ler!!!!!!!!
Post a Comment