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quarta-feira, 16 de maio de 2007

Pensamentos sobre Terras Distantes

Ola a todos. Finalmente estou publicando o primeiro “Pensamentos de terras distantes” seção em que publicarei minhas historias de ficção. Estava previsto para o inicio de abril, mas por motivos alheios a minha vontade precisei adiar este projeto que agora terão a oportunidade de começar a ler.

Este é apenas o prólogo de uma historia em quatro partes que será publicada uma vez por semana. Acho que vão notar que comecei longe, pois a historia se passa no Japão e a trilha sonora é composta apenas de cantores japoneses.

Espero que gostem da leitura.

Obs: Os “Pensamentos sob a luz negra” continuarão sendo publicados semanalmente. Então Fafas não se preocupe que vou narrar as desventuras da mesa de sinuca
do Pista 3 em breve.



-Prólogo da Lua-

A fumaça negra que sai da chaminé permeia o céu logo acima do crematório. Ao longe uma jovem observa atentamente os desenhos que são formados pela nuvem negra ao sabor da brisa fria de outono. Kaori tenta imaginar o que Ryuji acharia desta cena, mas é muito difícil para ela pensar nisso sabendo que aquela fumaça negra é a única coisa que resta de seu namorado.

“Ryuji. Ryuji seu imbecil! Você prometeu que nunca ia me deixar. Por que você fez isso comigo? Por que você tinha que morrer logo agora que tínhamos tantos planos? Por que você tinha que dizer que me amava há um ano atrás?

Eu era feliz como estava, não me importava de ser uma simples vagabunda da escola. Se você não falasse que me amava eu continuaria sendo só mais uma piranha de Sera Fuku (Uniforme de colegial). Eu gostava daquilo, gostava da forma que os homens me olhavam. Gostava do toque de varias mãos sobre minha pele. Não me importava com aquilo, me excitava. Eu gostava de ficar com vários. Era como uma “coleção” em que só eu tinha todas as peças.

Eu era uma piranha, ninguém podia me amar, mas você apareceu. Deu-me um beijo e disse “eu te amo”, pela primeira vez fui tratada com carinho e não apenas com desejo. Senti pela primeira vez meu coração bater. Pela primeira vez alguém gostava de mim e não se importava com o que eu era. Você me assumiu sem medo, enfrentou a todos com a cabeça erguida e nunca teve vergonha de dizer a ninguém que eu era sua namorada e que você me amava.

Sabia o risco que corria, sabia que era quase certo que eu te trairia, mas quando questionado sobre isso dizia apenas uma frase, “Eu a amo por isso confio nela”. Eu não conseguia te trair por que você acreditava em mim. Acreditava mesmo sabendo ser praticamente impossível ter a minha lealdade. Eu mudei por causa da sua confiança, não te trairia nunca, não poderia ferir alguém como você, não poderia machucar a única pessoa que realmente acreditava que eu era uma boa pessoa, não poderia trair você que era o único que acreditava que eu era uma mulher digna de receber um pouco de amor de verdade.

Você me ensinou a ser uma mulher, deixei de ser a vagabunda e me tornei uma mulher feliz. Por você comecei a levar os estudos a sério, por você eu aprendi a apreciar as coisas pequenas. Troquei uma coleção de homens sedentos por uma coleção de minutos felizes ao seu lado. Nestes minutos eu me encantava com cada palavra que me dizia, cada sonho seu passou a ser importante para mim e meu único sonho era que os dias não terminassem para não ter de sair do seu lado.

Seu merda! Por que morreu agora? Logo agora... Daqui a um ano iríamos para Tóquio. Iríamos estudar e trabalhar no Pub que meu pai abriu depois de muito esforço. Eu estava feliz pois teria uma vida nova. Uma vida em um lugar onde ninguém me conhecia e não precisaria sentir vergonha do que fiz no passado. Uma vida onde eu estaria ao seu lado.

Lembro-me de você dizendo que no mês que nos mudaríamos seria um mês de Azure Moon (Lua Azul), a lua do amor como gostava de falar por causa das músicas americanas que escutava. Aonde vai estar o meu amor quando eu partir? De que vai adiantar passar por uma Azure Moon sem você? Sem você eu nem saberia que ela existe, sem você eu seria apenas mais uma piranha de Sera Fuku.”.

As palavras gritadas de Kaori são repentinamente escondidas por um choro compulsivo e doloroso. A jovem chora com os olhos fixos na fumaça que sobe da chaminé do crematório. Está sozinha como sempre esteve, mas o vazio parece ser maior desta vez.

A poucos metros dela uma figura esconde-se atrás de uma grande cerejeira. Um rapaz escuta o sofrimento de Kaori e também sofre por ela e seu amigo que morrera. Este rapaz é Hiroshi, um dos melhores amigos de Ryuji e apaixonado por Kaori há anos. Desde o dia do inicio do namoro deles adotou um “esporte” muito incomum para um jovem, resmungar.

“Que merda de sentimento estranho! Não consigo deixar de estar um tanto feliz por Ryuji não estar mais aqui e ao mesmo tempo não consigo acreditar que perdi um amigo como ele. Da mesma forma que me senti no dia em que ele começou a namorar Kaori. Eu queria que ele morresse naquele dia, mas ao mesmo tempo estava feliz por que meu amigo havia encontrado o amor que tanto procurará. Mas tinha que ser logo ela?

Ryuji não sabia que eu a amava. Eu sempre dizia que gostava de alguém, mas tinha vergonha de dizer por causa dos atos dela. Pensei em mandar um e-mail dizendo a ela o que eu sentia, mas Ruiji me disse, “Certas coisas não podem ser ditas através de pontos de luz em uma tela de vidro. Tanto faz se são boas ou ruins, de qualquer forma é deslealdade privar os olhos de “escutarem” a sinceridade das palavras”. Ele seria apenas mais um filho da puta romântico se não estivesse certo. Conquistou Kaori com a única coisa que não tive coragem de fazer por puro preconceito. Ele disse que a amava.

Agora não tenho nem coragem de chegar perto dela para consolá-la. Tenho medo de estar traindo um amigo e tenho medo de ser recusado por ela, o que não seria muito difícil de acontecer na situação atual.

Kami-Sama (Deus) o que eu faço?

Quem sabe até está tal de Azure Moon eu tenha uma chance de estar perto dela? Afinal daqui a um ano eu também vou para Tóquio. Pelo menos tenho algo em comum com Kaori. Talvez seja uma chance de me aproximar, planejar algo com ela.

Do que estou falando? Meu amigo morreu e só no que consigo pensar é em conquistar a namorada que ele deixou.”

Os resmungos de Hiroshi param, seus olhos se fecham e tímidas lágrimas começam a rolar por seu rosto. A noite cai e uma linda lua cheia aparece em meio às nuvens. Ele continua lá, encostado na grande cerejeira e a poucos metros a mulher que ama chora por seu amigo morto.

O que acontecerá agora, talvez só o tempo possa dizer.

5 Comments:

Paulo Fernando said...

Estou estupefato! Maravilhoso!

Bjos

Fabrício Alves said...

Fala señore! Até que enfim vc seguiu aquele meu conselho de publicar seus contos. Acho que alguém teria que ler. Só acho que vc deveria colocar Alex Chilton cantando "Boggie Shoes" da mesma forma que eu tô aqui com ela. Efervescente total. Well, o conto tem uma verossimilhança com os filmes românticos de Herzog com pitadas de Nelson Rodrigues. Ou seja, literais total. Bem, me surpreendeu, assim como o paulo acima, mas não etupefaaaaato. não costumo estar estupefato. Só os filmes do Scorsese que me deixam aqui. A Ana Maria e o mentos que o digam no dia dos Infiltrados. Bem, parabéns e abraço. Fafas.
P.S. Vai comenatar o Big Shave porra!

Anônimo said...

Tadeu .... se você parar de escrever de novo, eu vou te dar tanta porrada que aí você vai ter realmente um bom motivo pra não escrever: TRAUMATISMO CRANIANO! Até semana que vem, beijim nas nádegas, Ticinha.

Unknown said...

uhauhauhauhauha, adorei..me emocionei.
sem palavras..muito bom.
aeeeeeeeeeee
ta de volta a ativa.
amei...
to feliz por vc.

Bárbara Lemos said...

Tens o dom com as palavras, hein, moço?

Já ia vir por aqui perguntar se isso não ia ter mais atualizações. rs

 
©2006-2007 'Focus' Por Claudya R.