Old Songs

sábado, 5 de maio de 2007


Vago sozinho pelas ruas em busca de respostas. Respostas para frases feitas que certas vezes fazem um sentido aterrador. Respostas para o vazio que insiste em permanecer em minha mente. Um estado de torpor toma conta de meu corpo e principalmente de meu coração. Nada me satisfaz, preciso sentir minha alma mais uma vez. A gentileza de antes não habita mais minhas palavras. Talvez já tenha encontrado a resposta que tanto queria. Há anos a procuro. Parece-me que desta vez consegui encontrar.

Nos olhos das pessoas que passam vejo amor, prazer e ódio. Sentimentos comuns nos dias de hoje, “coisas” sem valor para a maioria delas.

“Deus criou os sentimentos apenas para causar dor ao ser humano.”

Certa vez ouvi está frase de um “profeta das ruas” no centro da cidade após uma longa bebedeira. Às vezes acho que este profeta era o mais sábio dos santos.

Meus sentidos falham pouco a pouco, uma leve tontura acentua o estado de torpor de minha mente. Este estado me irrita profundamente.

Por que não passa?

Por que tenho que passar por isso?

Estas respostas eu tenho. A culpa é minha, demorei demais, na verdade nunca deveria ter começado.

Continuo andando, alguns quilômetros se passaram desde que comecei esta caminhada sem rumo. Paro em frente a um prédio que conheço bem. Finalmente algo passa por minha mente. Um alento afinal, uma lembrança, duas taças de vinho e uma pequena Deusa nórdica. Neste dia não senti falta, quando estive neste prédio senti apenas prazer e alegria. Não havia espaço para o que hoje me deixa louco.

Penso em voltar para casa, mas meu corpo parece não obedecer, precisa se livrar de algo ruim e teima em continuar andando. Talvez mais alguns quilômetros de caminhada possam me livrar do que me angustia.

As ruas estão tranqüilas, mas uma brisa fria e cortante parece querer ferir minha pele. Meus sentidos agora estão à flor da pele. Qualquer detalhe é sentido com a intensidade de um trovão.

Caminho cada vez mais rápido, tento fugir de algo que sei que ainda vai perseguir-me por algum tempo. Não sinto mais meus passos a irritação continua. Minha vontade é jogar-me em baixo de algum carro. Neste momento gostaria de ser assaltado, com certeza reagiria ou imploraria de joelhos para que o assaltante tivesse a nobreza de dar-me um tiro no meio da testa. Balas perdidas, sempre tive medo delas, hoje peço para que alguma me encontre.

Que merda fui fazer!

Definitivamente a gentileza desapareceu de minhas palavras. Um mendigo se aproxima e pede-me um cigarro. Nunca fui mal educado com estas pessoas, mas desta vez só o que o sai de meus lábios é um sonoro “Não fode!”. Realmente a gentileza acabou.

Que vontade de tomar um café! Ao pensar nisso lembro de algo que não vai fazer-me bem lembrar. Parece que quanto mais tento não lembrar mais me vem à cena a cabeça. Não posso, simplesmente não posso continuar nesta merda.

Por que logo comigo isso tinha que acontecer?

Mais uma vez vem-me à resposta como um soco no estômago. “A culpa é toda sua!”. Sem duvidas a culpa é minha. Sem duvidas o otário fui eu de acreditar em algo que sabia ser errado e ainda assim ter me metido nisso. Um dos meus mestres sempre disse:

“Não adianta pedir desculpas por ter feito algo que de ante mão sabias que era errado.”

Chego ao final de uma grande avenida. Para onde vou agora? Lembro-me então que estou perto de um mirante, olhar o mar pode fazer-me bem, sempre me acalmou. Chegando lá compro um suco de pêssego e dirijo-me ao parapeito principal. O vento frio e o cheiro da água salgada me acalmam por alguns instantes. Meus sentidos ainda estão aguçados sinto coisas que antes não sentia. Estou concentrado no perfume do mar quando sinto um cheiro estranho. Agora a gentileza que já não habitava minhas palavras por causa da irritação acaba de deixar meus pensamentos também.

“Quem é esse filho da puta que resolveu acender um cigarro do meu lado logo agora?”

Desvio meu olhar para o lado e um velhinho simpático está degustando um “delicioso” Marlboro vermelho. Se minha vontade de fumar não fosse tanta, juro que não entenderia o prazer que aquele senhor demonstrava em cada tragada profunda.

Eu não devo fumar, mas quero muito um cigarro agora. A causa de todo meu sofrimento é o cigarro, sei que toda minha irritação está ligada diretamente a este vicio que adquiri há anos atrás e agora estou deixando. A culpa de estar irritado e com está sensação horrível dentro de mim é toda minha. Eu deveria ter parado de fumar antes, a abstinência seria menos severa. A culpa é minha, não deveria nem ter começado. Agora só o que me resta é pagar pelo mal que me fiz e agüentar isso. Espero que meu esforço sirva como exemplo para os outros, mas só quem sente na pele sabe como é difícil largar este “delicioso” vício maldito.

---Este é apenas o início do fim.---

Pensamentos sob a luz negra

-Edição 8-

“Nicotina”

6 Comments:

Fabrício Alves said...

Fala cidadão!
Ontem eu passei por algo semlehante. Mas não fiquei irritado nesse tempo todo, foram apenas 2 horas e meia. Hj eu tb sei o quanto é fácil entrar nisso e dificílímo de sair. Vai que consegue! Eu te dou duas idéias:
1 - Toma um Sid Barret.
2 - Como diria a Fernanda, no coment de post abaixo: toma tequila que passa! rss
Um grande abraço e cuidado pro vento não soprar sua alma junto com a fumaça.

Bárbara Lemos said...

É... em tempos de desespero um cigarro de menta me acalma. Mas ainda não me viciei tanto assim.

Paulo Fernando said...

Q loucura! Mas a gente acaba sendo fumado pelo cigarro, quando se chega nesse nível. rsrsrs

Bem legal!
Abraços

Alessandra said...

Que raio de psicografia é essa?????
Sinto falta do cheio de agua salgada, isso tbem me acalma, sempre junto com uma brisa gelada, com gota d´aguas... Uma leve garoa sob a cidade, e logo as ruas se enchem de areia da praia, e eu sempre me perguntei porque? como? será que vem na chuva ou com o vento? Ninguem nunca respondeu, mas, dias chuvosos sempre me lembram minha casa. Mesmo não sabendo onde é a minha casa de verdade. Sinto falta do lugar que não conheço.
Sinto falta dos amigos que conheço.

até mais, resmungona também....
Ale

Anônimo said...

Te conhecendo(fazendo curvas pelas esquinas da internet)gostando.Cada ser tem o seu vicio,sua culpa e o seu modo peculiar de estar ou se livrar delas.Meu vicio é querer o amor de todas as formas.Culpas?estou querendo me livrar delas.ou epnas entende-las...

Anônimo said...

É tátu com "objetos" diferentes mais de maneiras e reações parecidas, me identifico com essa sua abastinecia e por consciência de fatos eu que te falo com propriedade: Isso é necessário para evolução emocional. Parece balela, mas daqui a poucos anos vc Vera que não só sua saudade mais seu emocional mudou muito por ter largado o cigaro.

Queria deixar aqui registrado que por mais que eu ache importante vc ter sentado sózinho para refletir sobre isso eu queria ter estado la para de dar a mão para ver vc se levavtar revigorado e cheio de esperanças...me perdoe por não estar pressente num momento tão dificil pra vc e parabéns por mesmo sem motivação fisica de seus amigos vc consegui e provou pra vc do que e ate onde pode ir.

te adoro espero que este meu erro não mude isso em nossos corações.

to sempre aqui e quando for curtir um fossa do cigarro denovo me liga né, não tenho bola de cristal..rs

ta adoro tátu nunca esquece, aconteça o que acontecer eu sempre vou te adorar.

 
©2006-2007 'Focus' Por Claudya R.