Old Songs

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Pensamentos Sob a Luz negra

   Desculpe-me pelo atraso de uma noite. Esperava uma autorização que demorou para chegar.



Pensamentos sob a luz negra

“Duas Taças de Vinho e uma Pequena Deusa Nórdica”



    Meus passos estão encharcados de lembranças. Ainda sinto o perfume de um passado feliz, um perfume suave, quente... Ainda escuto o som das gargalhadas, risos e sorrisos de um tempo de muitos amigos descartáveis e de algumas pessoas eternas.
O gosto... Sim, o gosto de chocolate derretido com cerejas em calda ainda permanece aqui.
    O elevador chega e meus pensamentos voltam à realidade, por pouco tempo, ao clicar o andar de meu destino o presente se apaga e o passado torna-se mais vivo que ele e muito mais gostoso que o sonho de um futuro distante.
    Tento pensar em acontecimentos atuais, mas por motivos infelizes eles não me parecem suficientemente atraentes e muito menos apropriados para o local onde estou. Fios dourados e esmeraldas do passado não saem da minha mente. Longos fios dourados e esmeraldas brilhantes, um brilho feliz enfeitado com lágrimas. A felicidade no brilho das esmeraldas foi por minha causa e infelizmente para mim as lágrimas que derramou também foram minha culpa. Não sabia que estas lágrimas haviam sido derramadas por mim, mas ao saber não pude deixar de culpar-me por elas. Deusas não deveriam chorar.
    As portas do elevador abrem-se devagar. Ao abrir vejo os longos fios dourados e as esmeraldas brilhantes, mas desta vez não estão mais em minha mente, agora é real. Palavras eram dispensáveis neste momento. Um longo abraço se segue de um beijo no rosto. Sim é ela, minha Pequena Deusa Nórdica está aqui mais uma vez.
    Nossos olhos se encontram e não sei se sinto desejo ou culpa por tê-la feito chorar no passado. Continua linda, perfeita como sempre. Tenho vontade de pedir perdão, mas já sei qual será sua resposta, “Você não sabia, não teve culpa nenhuma”, mas sinto que tive culpa sim. Por minha imaturidade e falta de sensibilidade a fiz chorar por algo que talvez ainda não possa dar.
    Ela pega minha mão e conduz-me até seu apartamento, está escuro, mas ao chegar à sala encontro velas, um suave perfume de absinto e lótus e uma pequena mesa onde está servido o jantar. Mais uma vez a culpa absorve meus pensamentos. Por mais que eu não soubesse, não poderia tê-la deixado sofrer. A abraço forte e peço perdão. A Deusa procura meus lábios e um beijo lento e carinhoso dá-me a certeza de que fui perdoado.
    Chocolate derretido com cerejas em calda... Sim, o gosto ainda está aqui, ainda melhor do que quando tive a oportunidade de provar. Seu beijo é como um vinho, ao envelhecer torna-se mais saboroso e valioso.
    Sinto suas lágrimas escorrerem, ou seriam as minhas? Não importa, nada mais importa, ao menos hoje o mundo não existe mais. Hoje só o que existe é minha pequena Deusa de longos cabelos dourados, nada mais, apenas ela me importa.
    Sinto seu gosto, nunca desejei tanto alguém quanto agora. Seu perfume mistura-se ao do ambiente. Este perfume parece me entorpecer enquanto beijo seus lábios macios. Seu coração bate forte, parece acompanhar o ritmo do meu.
    Batidas fortes acompanhadas de caricias lentas. Delicadeza. Esta é a palavra que resume perfeitamente a forma de tratar uma mulher como ela. Neste momento meu desejo não é o seu corpo e sim seu sorriso. Meu êxtase será fazê-la feliz ao menos por uma noite.
    Nossos olhos encontram-se. Ela sorri antes de nos beijarmos mais uma vez. Agora o desejo nos cega, o suor escorre apesar do ambiente fresco e o tapete felpudo serve de ninho para saciar um prazer aprisionado por anos. Doces palavras são ditas em meio a sussurros incompreensíveis. O perfume da Deusa parece envolver-me mais a cada segundo, seus olhos de esmeralda me fitam de forma delicada até finalmente se fecharem. Seus braços apertam meu tronco, meu êxtase chega e não vai embora por longos segundos.
    Ficamos abraçados por um bom tempo, seu rosto suado brilha com a luz, está ainda mais linda assim. Mais um beijo é dado e ela levanta-se pedindo que eu espere. A Deusa usa a colcha de linho do sofá como manto e desaparece de meus olhos por algum tempo. Não consigo pensar em nada, tudo o que me afligia parece ter desaparecido.
    Ela volta a passos lentos, em uma das mãos traz uma garrafa de vinho na outra uma maleta de madeira. Ajoelhasse a minha frente e abrindo a maleta e diz:
    
    ___ Isto foi feito apenas para nós. Nunca será usado por mais ninguém. Após está noite será guardado e só será usado novamente quando está noite se repetir.
    
    Dentro da maleta encontram-se duas taças de cristal e um saca rolhas lindamente decorado. Não digo nada, estou encantado demais para dizer qualquer palavra, apenas abro o vinho e encho as taças até a metade. Abraço minha pequena Deusa e a faço repousar em meus braços. Bebemos o vinho em silêncio, mas sem desviar os olhos um do outro.
    Alguns segredos são confessados enquanto a garrafa de vinho esvazia-se. Aos poucos a pequena Deusa adormece. Parece um sono tranqüilo, sua respiração é suave e seu rosto iluminado pela luz das velas transforma a cena em algo onírico. Durmo acariciando seus cabelos.
    A noite acaba e uma promessa é feita antes de eu partir. Volto para casa andando pela orla. Penso no que aconteceu, penso se realmente merecia isso. Acho que sim apesar de não saber se irá se repetir. Ao menos consegui ser feliz e fazê-la feliz por uma noite. Acho que nós dois merecíamos isso.
    As taças continuam guardadas. Ela me confirmou isso antes e depois de partir em uma longa viagem. Quanto à promessa, posso resumir em uma frase que ouvi num filme.
“Destino é construir uma ponte de oportunidades para o seu amor”.

    Não sei se nós vamos nos encontrar ao atravessar esta ponte, mas uma coisa é certa, caso não estejamos juntos nossa amizade nos fará desejarmos a felicidade um do outro seja lá de que forma ela se apresente.



    P S: Antes que perguntem se o jantar foi esquecido, digo que jantamos sim, apenas omiti está parte para não me alongar demais no texto. Além da conversa durante a refeição só ter relevância para nós dois.

4 Comments:

Anônimo said...

Obrigado pelo carinho. Não poderia descrever melhor aquela noite.
Beijos

PS: As taças continuam guardadas.

A mistura de absinto e lótus eu aprendi com você. Viu como sou boa aluna? hahahaha

te amo
Fla.

Anônimo said...

não sei por ai, mas por aqui, lady vengance ja estreou... ai deve ter estreado muito mais cedo, já viu neh? Interior é sempre o ultimo...

Bárbara Lemos said...

Que delícia de texto, hein? Nossa... adorei.

Ah.. "Matar-lhe seria muito mais que um crime, seria apagar uma das poucas centelhas de inteligência que ainda vejo nos jovens de hoje.", sem exageros, ta? Mas obrigada pelas palavras. rs

Bisous, moço.

tchuchuco said...

Até eu fiquei emocionado com a estória é estou nostalgiado esse cara é bom. Vou ter aprender essas técnicas para ver se faço uma graça com minha futura patroa.

 
©2006-2007 'Focus' Por Claudya R.