Old Songs

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Telefone, bombons e cigarros.

    O telefone toca... Uma voz feminina diz ___ Queria apenas escutar sua voz ____ esperei muito tempo por estas palavras, no entanto, hoje não fazem o menor sentido em meus ouvidos.
    Uma conversa sem nexo se inicia, duas pessoas sem graça, sem saber o que dizer. Como isso foi acontecer? Como nós não conseguimos conversar? Como duas pessoas tão íntimas não sabem o que falar?
    Pela janela do quarto escuro vejo os carros passarem apressados... Ela continua a falar, sua voz é murmurada, tem um pouco de medo, angustia, um véu de expectativa transparece quando diz___ Poderia conversar a noite toda___ pergunto-me sobre o que ela poderia falar durante uma noite inteira? Sobre o que eu poderia falar durante toda uma noite?
    “O amor é uma ilusão criada após o terceiro cigarro”, sábia Mian Mian e seus Bombons Chineses*, agora entendo o sentido desta frase. A voz feminina continua ecoando em meu ouvido, remete-me a um passado distante, três anos separam o ultimo “eu te amo” deste primeiro “Alô”. Nas duas ocasiões não fui eu quem falou.
    A voz continua... Tento escutar com atenção... Meus olhos fitam uma senhora atravessar a rua... O quarto escuro ilumina-se com as luzes da noite na cidade... Pergunto-me. Por que estamos tentando conversar e nada de útil sai de nossas bocas? A intimidade se foi. Pelo menos as brigas se foram com ela, todas as palavras sem sentido são ditas de forma carinhosa e gentil.
    Aonde foi que erramos? Em que ponto tudo desmoronou? Quatro anos separam o ultimo beijo deste primeiro suspiro. O beijo fui eu que dei o suspiro hoje é dela. Nossas vozes continuam tentando fazer sentido... Em vão.
    Antes nós não precisaríamos procurar as palavras, na verdade, nem precisaríamos delas. Bastaria um olhar ou um simples balbuciar para sabermos exatamente o que o outro queria dizer. Hoje, em dez minutos de conversa, não conseguimos entender 10% do que falamos. Somos dois estranhos, dois estranhos que conhecem muito um do outro. Dois estranhos “íntimos” que perderam a intimidade.
    As palavras continuam a serem pronunciadas, meus ouvidos captam, mas minha mente não assimila, acho que ela está na mesma situação. Sinto que quer dizer-me algo e não tem coragem. Eu quero escutar o que ela tem a dizer, mas tenho medo de ser verdadeiro na resposta. Antes minhas palavras estavam banhadas de magoa e minha mente fedia a raiva, teria sido mais fácil dar a resposta ao que ela não disse naquela época, não me preocuparia em machucá-la. Hoje, vejo que também errei e por isso não posso correr este risco. Como falarei a verdade sem feri-la?
    A conversa acaba. Nos despedimos, uma sensação de vazio envolve meu corpo. Em minha mente imagens dela aparecem repentina e nitidamente. O primeiro beijo, a primeira noite, o primeiro aniversario, o primeiro natal e por fim o primeiro e único Adeus.
    Quero que ela seja feliz, pelo amor que tive por ela e pelo carinho que ainda restou quero que ela seja feliz. Para mim não há mais como amá-la como antes.
    "O amor é uma ilusão criada após o terceiro cigarro"... Meus cigarros acabaram...
    Sábia Mian Mian e seus Bombons Chineses que adocicam as veias como balas de hortelã.


* Bombons Chineses (Tang / Candy)
   Ano: 2001
   Autora: Mian Mian
   Editora: Geração Editorial

9 Comments:

Bárbara Lemos said...

Costumava dizer que o amor era uma ilusão de ótica, mas depois dessa frase, mudarei o repertório. Adorei o texto.

Bisous, Sr. Fênix.

Anônimo said...

Bem...
Sem comentários para a pessoa que disse que este tipo de coisa não mexia mais com ela. rsssss... Mexem, ficar cutucando uma ferida, por mais cicatrizada que esteja ela pode sangrar... Sem falar naquela casquinha nojenta e cheia de pus - sentimentos de râncor e medo. É tudo pacote, vem mesmo que não desejado...

Alias, o amor é VIRTUAL.
Sem querer filosofar novamente nessas "aulas totalmente subjetivas" nunca sabemos o que vai acontecer com a gente até realmente acontecer; Nunca sabemos até onde o outro esta disposto a ir, e por fim, nunca sabemos qual a verdadeira influência dos filmes hollywoodianos tem sobre a gente até nos apaixonar.
A midia cria uma fantasia inexistente em nossas mentes. Quando o amor chegar vai estar limpo e feliz, não havera bringas e não discordaremos de nada, a convivencia é pacifica e a unca discussão é sobre qual filme alugar no final de semana, mas quem realmente briga por isso?
Por isso nossa vida muitas vezes é tão frustrante. Nada é facil, nada é romantico como nos filmes, ninguém vira me salvar num cavalo branco. - Quem anda de cavalo branco hoje em dia??? Não conheço nenhum principe encantado que chega com rosas todos os dias, comemore todos as datas especiais. Afinal, o que são datas especiais???

E as crises de amor são cada vez mais subjetivas.
A gente briga com o outro, mas na verdade não tem ideia do porquê da briga, nem se lembra de verdade porque a coisa começou e como chegou até ali.
É sempre assim, nos só vemos o que queremos ver. a Verdade é muito relativa. Nossa vida são cheias de verdades relativas.
Tudo depende de um "ponto de vista"

Ticinha said...

Porra ... escrevi um monte de coisa e não publicou .... te falo ao vio! Me estressei agora!

Beijos!

Fabrício Alves said...

É incrível como o amor acaba num só momento, numa queimadura de cigarro. O que foi duradouro para manter, acaba num só momento.
Tenho acompanhado as notícias da cantora Amy Winehouse ultimamente, e ela tem como exemplo o marido dela. Os dois são decadentes, se amam e se odeiam ao mesmo tempo. O dia que vir um desfecho dos dois, o que vai sobrar é afeto. Como no seu texto.
Enfim, é isso. Vou fumar um cigarro. rss (só um chocolatinho que faltou agora né? Mas chega de comer besteira)
Abraço.

Ticinha said...

Dedeu ... já postei ... leia e verá que eu não tenho tempo pra escrever mais do q isso: te amo e vc escreve bem pra cacete!!!
Quando eu crescer quero ser assim ... igualzinha a vocêr (só que rica, né ...)

Beijos!!!

Fabrício Alves said...

pegadinha:
vai lá no blog e leia senore!
Abraço.

Fabrício Alves said...

pegadinha:
vai lá no blog e leia senore!
Abraço.

Anônimo said...

Por acaso um certo dia achei seu blog em uma pesquisa minha ao google... depois disso sempre venho dar um lida nos seus posts...
Adorei seu jeito de pensar e expressar suas emoçoes...emoçoes tipicas de um boemio...

Aguardando atualização...
Abraço

Unknown said...

Estamos esperando a continuação!
Beijos e Feliz Natal

 
©2006-2007 'Focus' Por Claudya R.