Old Songs

sábado, 3 de março de 2007

Pensamentos sob a luz negra

Pensamentos sob a luz negra

-Edição 3-

“Eu”

Livraria Argumento - Ultima segunda-feira de fevereiro de 2007

Não estava muito bem neste dia, estava com uma sensação estranha depois de uma noticia nada agradável. Precisava de ar então resolvi adiantar um encontro que havia marcado com uma amiga e pedi que me encontrasse na livraria. Para variar cheguei primeiro e resolvi folhear um livro que já estava “namorando” há algum tempo. O livro é “Dance Dance Dance” de Haruki Murakami (meu autor favorito). Li a primeira pagina e percebi que neste livro em especial Murakami-sama* é mais acido do que nos outros livros que havia lido, chega a ser um pouco depressivo nas palavras que usa, continua com seus traços característicos, mas sem duvida não deveria estar passando por uma boa fase ao escrever esta historia.

Em um certo momento o personagem principal fala de sua época de colégio, descreve como os professores o faziam se apresentar à turma todo inicio de ano letivo. Divaga então sobre o que mudou daquele tempo ao atual (a historia se passa em 1979) e ele descobriu que a única coisa que restou daquele tempo foi seu gosto por nadar.

Fechei o livro e fitei firmemente a foto de um corredor de hotel azul que havia na capa, queria saber no que eu tinha mudado da época do colégio até hoje, queria saber quem eu era.

Não tardou e minha amiga chegou e para minha feliz surpresa não estava sozinha, a tira colo veio outra amiga. Nanda e Fla, coincidentemente duas amigas do tempo de colégio. Duas mulheres importantes na minha vida em épocas diferentes.

Nanda já chegou tirando o livro de minhas mãos e perguntando qual a nova esquisitice que eu estava lendo, Fla gentil como sempre me deu um forte abraço e um longo beijo no rosto. Finalmente um momento feliz, estava precisando daquele abraço.

Como de costume quando estamos juntos em uma livraria, começamos a conversar olhando as estantes e vez ou outra falávamos de uma capa legal que estava a nossa frente. Havia muito tempo que não nos encontrávamos os três juntos, por isso o papo foi meio nostálgico.

Elas falavam da época de escola, de como eram chatas as aulas e principalmente de como eu era um “canalha” agradável. Eu não era exatamente um canalha, mas andava com eles, sabe aquela fase que você quer ser como todo mundo, que nós achamos que isso ou aquilo é divertido só por que os “populares” fazem, pois é eu também tive essa fase e de certa forma foram essas duas que me tiraram dela.

Aproveitando a aura de nostalgia perguntei a elas como eu era naquela época e como elas me viam hoje. Não vou dizer aqui o que as duas me falaram, até por que não quero me gabar, mas foi uma injeção de ânimo em minha alma.

Conversamos muito naquela noite, primeiro na livraria depois no apartamento da Nanda comendo pizza. Depois de tanto falarmos percebi uma coisa muito estranha, não mudei nada. É verdade, não perdi nada daquele tempo de colégio apenas acrescentei. Amadureci muito com alegrias e pancadas homéricas. Aprendi a amar, odiar e a controlar os dois sentimentos para não me prejudicar. Aprendi a ser bom mesmo quando quero ser ruim. Aprendi a me machucar e a curar essas feridas. Aprendi a sorrir com a alma por mais que no meu rosto estejam rolando lagrimas de dor. Aprendi a ir a qualquer lugar mesmo que não goste, desde que eu tenha um motivo que pode ser um simples sorriso de alguém que seja importante para mim. Aprendi a acreditar nos meus sonhos e a respeitar os sonhos dos que estão ao meu lado. Aprendi a me transformar de problema em solução. Aprendi a experimentar antes de julgar se é bom ou ruim. Aprendi a não ter medo do medo e a não ter medo do novo só por que não o conheço. Aprendi que não preciso de um lugar para me diverti a diversão esta nas pessoas e não nos ambientes. Aprendi que quando se ama se ama alguém não o que ela pode te oferecer. Aprendi que um bom copo de vinho pode ser amargo como fel e que a pior das cervejas pode ser o néctar mais doce e sublime e isso só depende da companhia. Aprendi que tempo não é dinheiro, pois o tempo é infinito e sempre nos traz coisa boas, já o dinheiro só nos mostra a materialidade e ambição das pessoas. Aprendi a gostar de queijo branco, espinafre e brócolis. Aprendi a ser sincero e não ter medo desta sinceridade. Aprendi que minha mente não me controla ela é apenas um instrumento trabalhando a favor do meu coração. Aprendi a escutar minha intuição, pois só ela pode me indicar o caminho certo a seguir. Aprendi a não ter medo de aportar, pois parar no porto não quer dizer perda de liberdade e sim a garantia de que vou ser sempre livre.

Agora eu lembrei quem eu sou.

Tadeu

*Sama – sufixo japonês usado após nomes e sobrenomes indicando respeito. Em português equivale a “Senhor(a)”.

P.S.: Nanda e Fla obrigado por mostrar quem eu sou. Nanda obrigado pelo livro, para variar estou lendo compulsivamente.

1 Comment:

Unknown said...

Meu amigo, adorei seu texto e obrigado por lembrar desta sua amiga doida hahahaha
Quero dizer que vc é muito mais do que isso, muito mais do que vc imagina e muito mais do que os outros conseguem ver. To dizendo isso pq te conheço como amiga e como namorada. Não quero desprezar nenhum outro homem que já passou na minha vida mas não posso deixar de dizer que vc é o mais especial de todos. Nõa tem no mundo pessoa mais dedicada do que vc e não foi a toa que me apaixonei por vc naquela época. Tudo oq eu e a Fla falamos na segunda é a mais pura verdade. Vc era o “canalha” mais agradável que eu conheci e hoje é o homem mais incrível que eu conheço. Pode ficar metido duvido que exista outra ex namorada no mudo que fale desse jeito hahahahaha tirando as suas pq tenho certeza que mesmo que elas não falem sentem o mesmo. Minha mãe pergunta ate hj pq agente terminou vc devia escrever sobre isso ia ser engraçado hahahahahaha lembra do guapo e da tequila hhahahaha MALDITA TEQUILA !!! HAHAHAHA
Beijos meu amor, vc foi e será sempre o homem mais especial da minha vida.
Te amo
Nanda

 
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